11 de junho de 2015

Nos meus dedos descansam

      Nos meus dedos descansam as palavras que um dia escrevi nas cartas de amor que nunca foram entregues; descansa o anseio em abraçar, a vontade de tocar o rosto do amor que personifiquei para meu coração. Nos meus dedos dormem, tranquilas, as tranças que desenhei com tanto cuidado, as tramas que costurei com maestria, os quadros que pintei com esmero, os desenhos que produzi com carinho...

      Nos meus dedos desenha toda a arte, a música, a prece e a oração. A dança bem acompanhada e a refeição bem preparada.
      Nos meus dedos descansam as marcas de um tempo bom, um tempo verdadeiro e tão bem aproveitado. Descansam as marcas de uma história contada com começo, meio e momentos especiais que são impossíveis de ser esquecidos. 
      Nos meus dedos e mãos abriguei muitas vidas. Enxuguei lágrimas, espantei medos. Segurei soluços e gritos. Abafei sustos. Por isso, então, nos meus dedos descansa a própria existência do tempo que me levou adiante. Dorme neles cada um dos meus sonhos, tão profundos como as marcas da pele podem ser.
      Nos meus dedos descansa a satisfação em sentir, tatear, tocar o vazio e o tudo ao mesmo tempo. 
Nos meus dedos descansa a paz que procurei para mãos inevitavelmente cansadas, mas que encontraram nas minhas o repouso perfeito para se recompor. Descansa a paz para acolher meus amigos, amores e sentimentos. 
      Descansa a minha própria existência...

fonte: https://www.facebook.com/aproveitandoaterceiraidade?fref=nf

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