15 de outubro de 2014

6º Prêmio CET de Educação - Ganhador: Categoria Educador - Projeto de Educação de Trânsito

1º Lugar: ANA RUTE BONETTI BOTELHO

Justificativa
Público alvo do trabalho: Crianças de 3 e 4 anos e a Comunidade da escola.
      Considerando que “as praticas pedagógicas que compõem as propostas curriculares da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e as brincadeiras e que a expressão dramática começa a surgir quando as crianças manifestam o desejo de assumir papéis, como por exemplo, o de motorista... o de dirigir carros” (Diretrizes curriculares para a educação infantil), percebi que a turma composta por crianças de 3 a 4 anos, brincava preferencialmente de carrinhos. Ao observar como utilizavam os espaços e que apresentavam preocupação em como “organizá-los” para brincar, surgiu em mim a idéia de aproveitar o interesse da sala para promover o tema educação para o trânsito, ampliando assim a reflexão sobre um assunto tão próximo de todos nós.
      Assumindo assim uma atividade voltada para o cotidiano e que traria, na prática, conhecimentos sobre a dinâmica do trânsito nas ruas, na qual eles, seus pais e a comunidade estão inseridos e participam diariamente, seja no percurso de ida e volta da escola ou em outros momentos que necessitam sair de casa, pois, afinal, pertencemos a uma metrópole na qual por onde quer que vamos, estamos envolvidos no trânsito, por muitas vezes, muito movimentado e com um alto índice de acidentes, resolvi montar um projeto sobre educação para um trânsito mais responsável que pusesse envolver não só as crianças, mas também a comunidade e seus pais.
Objetivos
- possibilitar a compreensão do que está envolvido no trânsito: os carros, os pedestres, os ônibus, as motos, as bicicletas, os caminhos, as ruas as calçadas, as casas, os postes, os sinais e as placas de trânsito.  
- oferecer aos alunos a oportunidade de conhecer as regras de convivência no trânsito entre pedestres e veículos e veículos e veículos.
- oportunizar o envolvimento dos pais e responsáveis de, juntamente com seus filhos, refletirem sobre as questões de segurança no trânsito e convivência. 
- oferecer efetivamente esta oportunidade de participação através de oficinas que possibilitem a construção deste conhecimento de forma conjunta.
- trabalhar o tema da forma mais concreta possível, possibilitando a conscientização sobre o tema.
- iniciar o processo de cidadania das crianças em relação às regras de segurança no trânsito e a responsabilidade de todos os envolvidos.
Metodologia e estratégia de ação 
      Escutar uma criança significa dar voz a ela, dar atenção às suas propostas e planejar como desenvolver suas idéias.
Deste modo, as crianças se utilizam de várias linguagens (oral, visual, matemática), ampliam suas experiências, entram em contato com os objetos, transformam, constroem e refletem sobre o mundo que as cerca. Enfim elaboram conceitos, adquirem atitudes e novas experiências, compartilham com os pais e com a comunidade seus novos conhecimentos.
      É nesse contexto que iniciamos nosso trabalho partindo de uma roda de conversa sobre o assunto, sobre as brincadeiras de carrinhos, onde começam a surgir perguntas e afirmações sobre o caminho da escola para casa, principalmente.
      Assim passamos a conceituar e a falar sobre os pedestres, os veículos, carros, motos, caminhões, ônibus, carros de corrida, por meio de pesquisas em panfletos, revistas e jornais, as crianças puderam visualizar e diferenciar onde devem andar os carros e onde andam as pessoas, quando montamos juntos um painel para ilustração deste cenário.


      O próximo passo foi apresentar a eles os sinais e placas de trânsito para que pudessem entender como os carros andavam nas ruas sem acontecer acidentes, a especial atenção foi dada para o semáforo e a faixa de segurança por estes estarem mais próximos do dia a dia das crianças, afinal, nossa escola está localizada em uma avenida movimentada.



      As cores do semáforo foram insistentemente repetidas e
o mesmo foi pintado em caixas 
de papelão para que 
pudéssemos brincar de avenida.








   Falamos sobre a importância
de atravessar na faixa de segurança, dar a mão para um adulto e observar o semáforo antes de atravessar, bem como a movimentação na própria rua. 
Brincamos várias vezes, inclusive ilustrando um atropelamento e suas consequências.

      Não deixamos de falar sobre a importância do cinto de segurança que salva muitas vidas em acidentes, sendo que as próprias crianças lembraram-se do uso da cadeirinha, pois eles ainda a utilizam, falando que os pais os colocam nas mesmas sempre que vão passear de carro.
Chegamos assim à conclusão de que os adultos também precisavam participar da brincadeira, então, no dia da família na escola, convidamos os pais para participarem de uma oficina de fabricação de carrinhos, para nossos futuros motoristas.

      A escolha dos materiais foi, sobretudo, fundamentada no interesse de reutilizar papéis de presente, caixas, plásticos, tubos, jornais e revistas. 
      Fiquei surpresa com a presença maciça dos pais, por considerarem que, além da importância de estar junto com seus filhos em uma atividade pedagógica, o tema é extremamente relevante, ainda mais em nossa cidade.
      Passamos então para uma reflexão sobre o nosso bairro, já urbanizado, tendo muitas casas, ruas calçadas, muitos carros e pessoas indo de um lugar para o outro, transitando. Estávamos com os carrinhos, faltava a cidade.
      Para confeccionarmos a cidade era preciso também pensar nas outras linguagens, propiciando à criança experiências multidisciplinares.
Nessa temática, aproveitamos para levantar a importância do respeito ao meio-ambiente quando da proposta de instalação de uma cidade, pois a mesma seria construída com material reutilizável, garimpado pela professora e pelos pais que pudessem colaborar.
      Dessa forma começamos a juntar caixas e, quando as estávamos empilhando, pude observar como se processa o pensamento e a aprendizagem infantil por ensaio e erro: as crianças tiveram que ordenar e classificar para poder acomodar as pilhas e levantar os prédios. O pensamento lógico-matemático esteve presente quase todo o momento para resolver este problema.

      Dando continuidade a esta atividade, decoramos as caixas com muita ludicidade para fazer a cidade: passamos tinta em todas elas, realizamos colagens e desenhos, afinal, as artes plásticas e o uso de cores envolvem as crianças, dando-lhes suporte para que elas encontrem prazer no que fazem e reconheçam em sua produção uma estética e beleza próprias.



      Finalmente, o grande dia chegou, com todos os trabalhos dos alunos a mão, estava na hora de construir a instalação. Para tal foi necessário o planejamento da organização da sala e de ações intencionais para que o brincar fosse de qualidade. Mesmo que o brincar seja um ato inerente à criança, ele exige um conhecimento, um repertório que ela precisa aprender para poder participar da brincadeira.

      A criança conta com a mediação de um adulto para que possa aprender a nova brincadeira e garantir a ampliação de suas experiências e é neste sentido que o envolvimento da família, dos funcionários, e dos professores se tornou importante.
      Com a instalação pronta, passamos a brincar de carrinho, vestindo os carrinhos já confeccionados em caixas de papelão seguindo regras de fluxo do trânsito, com a observação das placas e sinais de trânsito para andar pela “nossa cidade” de forma segura, garantindo a ordem tão necessária.

      Porém, ainda falta algo decorativo em nossa cidade, pois os pedestres ainda não estavam retratados em desenhos na instalação, embora estivéssemos ali presentes como pedestres e carinhos.
Então, novamente com a participação dos pais, começamos a desenhar em papel craft os pedestres, utilizando como moldes as próprias crianças, esta atividade além, de aproximar pais e filhos com um propósito pedagógico foi muito lúdica, também desenvolveu a linguagem corporal, no sentido de a criança se perceber no mundo como um ser e um cidadão pois o seu formato e o seu contorno foram inseridos na cidade planejada e construída, tendo a auto imagem definida, pois ela mesma completava o desenho, a fim de torná-lo o mais próximo possível de si mesmo e da realidade.





Avaliação dos resultados
      Foi realizada no decorrer do processo a partir da observação da participação e das mudanças de atitude das crianças e dos pais.
      Percebi nas crianças que estas passaram a compreender melhor como deviam andar na rua pelos próprios relatos quando comentavam sobre algo que viram, por exemplo, se alguém atravessou a rua descuidadamente: “prô o menino quase foi atropelado, ele nem olhou para atravessar. Não é que é pra gente atravessar na faixa e olhar para o farol?”.
      Com relação aos pais, percebi que eles também ficaram bem entusiasmados com o projeto e participaram ativamente de todas as propostas.
      Fica em mim, a educadora, o sentimento de missão cumprida, pois, sempre vi a criança como um cidadão, com direitos de acesso a uma educação de qualidade, que lhe trouxesse a consciência de seus direitos e deveres, bem como o envolvimento da comunidade e dos alunos num processo de cooperação e interação e a aquisição do conceito de respeito mútuo.

Alguns relatos:
Mãe:
“É muito importante a escola oferecer momentos como esse!!
Alunos:
“Prô, não é que não pode atravessar quando está no vermelho?”
“Sabe Prô, um dia meu pai bebeu cerveja a foi dirigir, deu um medo!”
“Hoje a menina atravessou a rua sem olhar, e nem segurou a mão da mãe dela, quase que ela foi atropelada!”













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