8 de agosto de 2014

Feliz dia dos Pais

      Agosto é o mês dos pais. Em função disso, achei que seria interessante dedicar as próximas colunas para refletir um pouco sobre eles. Sobre os pais de nossos filhos que, sendo ou não nossos companheiros, entraram na nossa vida para ficar.
      Da mesma forma que o ser mãe, o ser pai é um papel povoado de fantasias, expectativas, crenças. O ambiente sócio-cultural que nós vivemos cria dentro de nós uma série de idealizações em relação ao que é ser um bom pai.
      No imaginário coletivo um bom pai é aquele compreensivo e companheiro, que se envolve ativamente com os filhos, desde que estão na barriga. É retratado nos filmes, novelas e propagandas como um homem que ajuda a trocar fraldas, levanta à noite para ajudar nas mamadas, dá comida, lê histórias antes de dormir, participa das reuniões escolares dos filhos e, ainda, aos finais de semana, acorda cedo, sempre disposto a brincar, ir ao parque e fazer outros programas divertidos. Sem contar que tem que ter um bom trabalho e também ser carinhoso, romântico e compreensivo com a esposa/companheira. Afinal de contas, onde já se viu achar que é só pai e esquecer que também é marido, amante, namorado?
      Pois é… Por mais estereotipado que seja essa minha descrição, ela está mais arraigada à fantasia de nós, mulheres, do que podemos imaginar. E, quando nos tornamos mães e nossos companheiros se tornam pais, é isso que esperamos deles. Ou algo muito próximo disso. E quando nossos companheiros não correspondem a isso, tendemos a pensar que eles não são bons pais. Mas como ele não me ajuda? Nunca trocou uma fralda! Nunca deu comida! Que espécie de pai é ele?
      A realidade é que o pai que nossos companheiros podem ser não é aquele que nós gostaríamos que ele fosse ou que imaginamos que ele seria! Da mesma forma que nós também não somos as mães que eles sonharam!
Não são poucos os casais que sofrem com desentendimentos provenientes dessas diferentes expectativas em relação aos filhos e ao papel parental.   Ajustar a bagagem de cada um à realidade, às limitações e ao tipo de pai e mãe que cada um pode ser é algo difícil, trabalhoso, que leva tempo para acontecer e que faz parte do grande desafio que a maternidade/paternidade nos impõe.
Como resolver?
Feliz ou infelizmente estou longe de ter resposta para essa tão importante questão. Apesar disso, acredito que ter consciência dessa discrepância de ideais é um grande começo no sentido de nos ajudar a lidar com o comportamento dos pais de nossos filhos (e a eles lidarem com os nossos).
      Ser pai e ser mãe é ter que analisar constantemente as próprias expectativas. É ter que ajustar e re-ajustar a realidade à fantasia (ou vice versa) um milhão de vezes! Sempre e sempre!
      Além disso, é preciso lembrar que, da mesma forma como queremos ter o direito de sermos mães IN-Perfeitas, os pais também têm. Lembrar que eles precisam de tempo para se organizar e exercer sua nova função. Que eles não são maus pais simplesmente porque não correspondem às nossas expectativas. E que pais IN-Perfeitos também querem ser amados, ajudados, compreendidos e menos julgados. Assim como nós…

Isabel Coutinho - contato@isabelcoutinho.com
https://www.eunaoanotonada.com.br/maes-in-perfeitas-no-mes-dos-pais/

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