22 de julho de 2014

Waze


No caminho certo
O Waze é um aplicativo de trânsito ótimo para quem quer evitar congestionamento. Mas muita gente adora o sistema pelos motivos errados.
"Pelo amor dos seus filhinhos, atenção! Tem acidente na pista." Sim, o bordão que começa essa frase é bastante popular entre os torcedores de futebol. Pertence ao folclórico narrador Silvio Luiz, que eternizou outras expressões dedicadas ao jogo de bola, como “Olho no lance!” A novidade é de que agora a voz e os bordões do locutor podem ser ouvidos dando dicas paa você escapar do trânsito. É que o aplicativo Wase adotou as vozes de Sílvio e da apresentadora Renata Fan para seu serviço no bolo desse GPS interativo, que se tornou o mais popular do mundo da categoria, disponível tanto para iPhone quanto para smartphones com o sistema Android. Oferecido gratuitamente, o Waze tem como principal objetivo apontar rotas com menos trânsito à frente. Você diz para onde quer ir, e em poucos segundos ele elabora uma rota otimizada, por onde é possível seguir mais rapidamente ao seu destino. Também avisa sobre acidentes no seu caminho e recalcula a rota mais recomendável caso você mude sua trajetória em algum ponto do percurso.

Rede Social
Mas de onde o sistema tira tanta informação? Dos próprios usuários.       Funcionando como uma verdadeira rede social dedicada ao trânsito, o Waze é utilizado constantemente pelo que os usuários informam. Uma pessoa aponta que determinado trecho está congestionado, e essa informação serve para o aplicativo evitar esse caminho na hora de elaborar as rotas dos outros motoristas. Outra pessoa avisa sobre um acidente numa ponte, e a voz do sistema (do Sílvio Luiz, da Renata Fan ou de uma gravação padrão) alerta o motorista que estiver trafegando nessa direção.

Tchau, Polícia!
O mesmo uso comunitário do Waze, que se revela um trunfo e tanto para uma navegação otimizada, é também o seu aspecto mais polêmico, Entre as informações que os usuários podem compartilhar, está a de localização de radares e de blitz da polícia. Ou seja, o motorista alcoolizado que estiver usando o sistema pode ser avisado sobre a Operação Lei Seca no seu caminho e desviar da ação policial. Ele escapa da multa ou de uma penalidade maior, mas todos os outros motoristas -e motociclistas, ciclistas e pedestres próximos - continuam em risco de serem vítimas da irresponsabilidade de quem permanece dirigindo sem plenas condições de guiar.
Um caso famoso aconteceu em dezembro, quando o deputado estadual Caio Roberto, que havia sido flagrado pela Operação Lei Seca, usou seu aplicativo para avisar usuários sobre a blitz policial BR 320, em João Pessoa (PB). Para variar, o mau exemplo partiu justamente de quem deveria ser modelo de conduta para os cidadãos. 


Esse mau uso do Waze acabou dando origem a um Projeto de Lei, de autoria do deputado Major Fábio, da Paraíba, que propões a proibição de aplicativos de celulares que deixem seus usuários trocarem informações sobre blitz de trânsito. Pela proposta, o provedor de internet deveria tornar esse conteúdo indisponível, sob pena de multa, que  também incidiria sobre os usuários que compartilhassem esse tipo de informação.
Jeitinho Brasileiro?
Pode parecer discurso de manifestante contra a Copa, mas o mau uso do aplicativo tem jeito de ser vexame nacional. Segundo Di-Ann Eisnor, diretora de parcerias globais do Waze, a opção de recorrer ao aplicativo para escapar de radar e blitz é uma peculiaridade exclusivas dos usuários brasileiros. Ela lembra que, nos Estados Unidos, três anos atrás, a Apple fez uma avaliação de aplicativos disponíveis no iPhone, sob pressão do Senado americano, com o objetivo de banir aqueles que rastreassem ações policiais, e o Waze não estava entre os sistemas usados com essa finalidade. O Brasil é o segundo país com maior número de usuários do Waze, perdendo somente para os EUA. Mas a principal diferença entre brasileiros e americanos com o aplicativo não está a quantidade. E, sim, na educação para o trânsito. Lá, um aplicativo de navegação é um aplicativo de navegação. Aqui, nas mãos de alguns, ele vira um suporte à impunidade.

Alexandre Carvalho dos Santos - revista cesvi - 21.07.14

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