16 de abril de 2014

31 Comentários :

“Forma agressiva” de pedalar? Artigo 255 do Código? Ora, esperar o que, de ciclista ou “cicloativista”, que desmonte? Piada. Na Suíça, na Bélgica... De todos os “condutores”, ciclista é o mais oportunista, o mais grosseiro, basta querer notar. Sob pretextos, respeitam coisa alguma. Proibido pedalar nas calçadas, é? E nos calçadões do Centro, lá pode? O que a CET faz, nas ruas, para coibir? Reivindicar, exigir, ciclista sabe como fazer. Civilidade no trânsito tem que ser ministrado já na pré-escola, isto sim. Esperar conduta cidadã de adulto... Quanto às bicicletas nas ruas, falta atitude. De todos. Dos próprios cidadãos. E da autoridade, o Poder Público. Obrigado!

Rubens Cano de Medeiros
RG 5342264-8
São Paulo / SP

Saber, aquele que conhecer o Código saberá. Porém, quem se importa, ciclista ou pedestre? O bom senso mostra que bicicleta na calçada é risco de acidente principalmente para pedestres. Pedalar na calçada? Claro, só crianças, nunca adultos. E acaso ciclista desmonta, na calçada? E o agente de trânsito, ele age? Não e não, respectivamente. Outra grave incongruência: bicicletas que circulam nos calçadões (calçadas, portanto) do Centro. É a própria autoridade de trânsito que induz! Pois pintou no piso cinzento dos calçadões toscas e precárias "faixas de rolamento" para as bicicletas, sem qualquer sinalização - para os ciclistas literalmente trafegarem no meio da incomensurável multidão de caminhantes, pasmem! E semáforos, para ciclistas adentrarem aquele espaço prioritário de caminhantes... É de indagar: isso é "compartilhar"? Só se for compartilhar perigo com imprudência, lado a lado. Isso é solução? É impor-se a insensatez sobre duas rodas. Que urbanista teve tal ideia?

Rubens Cano de Medeiros
RG 5342264-8
São Paulo
29/05/2014

Diz a matéria: bicicleta elétrica até 350 watts "não requer habilitação". Conclusão: até 25 km/h, não precisa fiscalizar pois, até esse limite, se atropelar não deve machucar! Válida a conclusão? Ou burra a resolução?

Rubens Cano de Medeiros
Aposentado
RG 5342264-8
Rua Vigário Albernaz, 986
Vila Gumercindo
São Paulo / SP – CEP 04134-021
Telefone: (11) 5063-1599

O assunto bicicleta ainda é muito novo em nossa cidade, esse tipo de transporte está surgindo nas grandes cidades, por uma exigência da população e uma obrigação dos governantes de ver que ele também faz parte do trânsito. A convivência com todos os tipos de modais precisa e deve ser harmoniosa, com respeito, zelando sempre pela segurança dos de menor porte e juntos pela incolumidade do pedestre. :)
Em função disso novas leis e regras estão surgindo, assim como a inserção do tema bicicleta na Educação de Trânsito. A CET trabalha a mais de 20 anos promovendo Educação nas Escolas de São Paulo, oferece palestras a empresas, realiza campanhas educativas e nos últimos anos inovou com cursos de Ead e redes sociais. :)

Pedalar na calçada, diz a lei, "não pode"! Mas então por que todos os ciclistas pedalam? É que ninguém respeita, todos aceitamos e tampouco há fiscalização. Nem pedestre reclama, ele que é sobre quem a bicicleta pode investir, atropelar. O abuso é de tal ordem que, os que deveriam dar exemplo, eles infringem. Falo de policiais militares que fazem rondas pelas ruas montados nas bikes. Eles também pedalam nas calçadas, pode? "Pode", né? É correto? Claro... que não! No "flagrante", vá lá - mas na "rotina", não cabe. Ora, se qualquer mortal abusa, por que não um PM? Alguém ousaria recriminar? Com exceção de crianças ou adulto conduzindo criança, bicicleta na calçada é inviável, perigoso de colher pedestre. Não devíamos tolerar. Oportunismo e cara-de-pau de ciclista. Já que não coíbem... Pedalar na calçada; na contramão; avançar semáforos ou sobre faixa de pedestres - tudo isso são transgressões injustificavelmente "justificadas" mediante pretextos de cicloativistas, em prol da segurança de quem pedala - em prejuízo de quem caminha nas ruas. É só pensarmos: alguém, andando na calçada, com criança de colo, com carrinho de bebê; uma criança, mesmo; um idoso, um deficiente - enfim, qualquer de nós. Então, na calçada, silenciosa quão imprevisível, ela surge - do nada! - na nossa retaguarda ou dobrando a esquina: imprudente bicicleta! Nos calçadões, triciclos de carga! Só faltam as "motorizadas"... É a receita para um acidente. Exagero? Tem mais: até na calçada à porta de casa corremos tal risco - dentro de feiras-livres, idem. Afinal, é a impunidade: bicicleta não é alvo de fiscalização, quanto mais autuação - trânsito de bicicletas é questão delicada. Para cicloativistas, para o Poder Público e para a mídia, falar de bicicletas é tão-só falar de dois tópicos: ciclovias e direitos dos ciclistas (que nada respeitam). Entretanto, observando-se diariamente, no mero quotidiano, bicicletas fora de ciclovias são o trafegar do absurdo: desrespeito às leis de trânsito e ao bom senso, à civilidade. Um desrespeito acintoso, doloso até. É preciso que venhamos a exigir fiscalização de bicicletas para salvaguardar direitos do pedestre - exigir com a mesma força com que cicloativistas esperneiam pelos direitos deles. Ciclista não é só "vítima". O Código de Trânsito, é para valer?

Pedalar na calçada, diz a lei, é proibido: Código de Trânsito – mas, e daí ? Pois se não há repressão, “Inês é morta” – quero dizer, a lei. Quando bastaria tão-só a mera “lei do bom-senso”. Para fazer ver a um ciclista (irracional que fosse) o inadmissível de cavalgar uma bicicleta na calçada, no meio de quem caminha. Pois pedalam na calçada (e não são poucos) por oportunismo e pretextos. Como por exemplo esquivar-se dos carros. Ou falta de ciclovias – aliás, que brotam sem parar! Pedalar na calçada, invocando a lei do bom-senso, é para crianças. Ou adulto conduzindo uma. Fora disso, nunca! E quanto a ciclovias, claro que são necessárias. Mas cabem reparos. É o caso de ciclovias implantadas em ruas do Centro. Em ruas de mão única de tráfego. Tais ciclovias, pintadas junto do meio-fio, comportam duas mãos de direção (cada qual, estreita) para as bicicletas – lado a lado, de modo que ciclistas, em sentidos opostos, podem se acidentar. E mais: perigoso para o pedestre que atravessar – pois intuitivamente temos a tendência de (só) olhar no sentido do fluxo da rua – não o contrário. Mais sensato e seguro, para todos (até para motoristas), seria que as bikes voltassem por outra rua, paralela ou não. Então em ciclovias assim prevalece o inusitado: o próprio Poder Público, a quem cabe cumprir a lei, a afronta duas vezes. Vai contra o Código e contra a lei do bom-senso, simultaneamente: coloca “oficialmente” bikes... na contramão! Que urbanista viu nisso uma “solução” ? Bicicletas, assim, na contramão, circulam à revelia. Quanto ao pedestre, ao alcance delas ? Ora, resta-lhe engolir o sapo!

Rubens Cano de Medeiros
RG 5342264-8
São Paulo

Bem, pedalar na calçada “é proibido”, certo? Claro que não: quem não o faz? Se fosse, “mesmo”, aí haveria que fiscalizar. E autuar. Primeiro, autuar bikes não deve ser tão simples: elas nem têm placas, como motos e carros! Segundo: “como” autuar? Devido à peculiaridade de como ciclista se desloca, na rua, como “interceptá-lo”? Ô lôco! Laçá-lo, como era feito no “Velho Oeste”, seria a forma? Multar bicicleta? Troço mais “inadequado”, “politicamente incorreto” – quando todos os ventos sopram a favor da tal cicloatividade: só se olha para ciclovias – fora delas, hein! Se não fiscalizam, bicicletas, deixamo-las rolar, ora! Por conta... da casualidade! É um acidente aqui, outro acolá... Mas o que importa é tão-só ciclovia. Fora delas, bicicletas espalham imprudência e desrespeito a pedestres. À revelia dos ditames do Código: alguém dá bola? Não é pouca coisa, nem são só “alguns”: contramão, avançar sinal, ignorar faixas de pedestres... Proibido pedalar na calçada, é? Se o próprio Código abre perigosas exceções! Pedalar na calçada: perigoso para ambos – ciclista e pedestre. Como ninguém reclama, é então porque “estando bom para as duas partes”... Bola pra frente: ciclista sabe que ninguém o molestará. “Proibido pedalar na calçada”: a ideia é boa, hein!

Na revista argentina, que folheio, deparo com o anúncio convidativo à salutar mobilidade, prazerosa e alegre – uma afirmação de liberdade. Isto é, bicicleta: um convite a pedalar, o anúncio argentino.

Nesta ilustração de que falo, do tal anúncio, bela foto, o sujeito pedala uma bike luzidia, direitinho: flui na rua, não na calçada, provavelmente na correta mão de direção, munido de capacete – parabéns, né? A legenda desse troço, ó: “Tomá el mejor camino – existe otra forma de moverte, conocela”: bicicleta, tranquilo!

Bom, de capacete o cara tá. Entretanto, o portenho ciclista, como nós, paulistanos, peca pela falta, mostra a ilustração. A magrela luzidia não tem farolete, nem campainha, tampouco espelhinho. Assim, tal bicicleta – com certeza é que não é, nem para o ciclista nem para os outros – aquela bicicleta, não é a “mejor” forma: está irregular, “incompleta”. Lá não tem Código, como nós outros? Aqui, todas rodam equipadas, não?

No nosso mundo paulistano, claro, bicicleta também pode ser a melhor forma, o melhor caminho: mobilidade versatilíssima, uma delícia, hã! Isso, teoria, pois na prática... Todos sabemos, ninguém “nos importamos”: fora de ciclofaixas e ciclovias, prevalece nas ruas e avenidas um comportamento de ciclistas, total desprezo ao que dispõe o Código: coisa que jornais nunca noticiam – ao contrário do apoio a ciclovias. Não é fato?

Inserir, com bom senso e prudência, bicicletas no quotidiano do trânsito paulistano, convivendo com carros e pedestres, deve vir a ser mais que só pintar ciclovias vermelhas no asfalto: muitas delas são “empurrar com a barriga”, na marra.

É o caso de ciclovias rentes ao meio-fio, estreitinhas, de dupla mão – sem separação “física” dos carros e dos pedestres que cruzam a via. Isso é solução? Ou convite a acidentes? Para um “especialista”...

Olha, se os que pedalam se restringissem – o que não é – às ciclovias, mal dimensionadas, ruas no entorno dos calçadões, mesmo assim seria arriscado atravessar, porque o fluxo de carros é grande. No Centro, sabemos, além de bicicletas “comuns”, rolam as de entrega e os imbecis triciclos de carga – no meio do formigueiro humano que transita por lá. Assim, o transitar de ciclistas, nos calçadões, é uma balbúrdia. Parece insano.

A nós, como pedestres, embora jornais não mostrem, é um risco certo o que tais precárias ciclovias nos oferecem. Não foram pintadas objetivando preservar a incolumidade, nem a do pedestre. O negócio é botar magrelas. Pedestres? Ora...

Com a mesma apatia ou indiferença com que todos aceitamos a imprudência e falta de urbanidade de ciclistas, quando não nas ciclovias, já imaginou se também as motos – que têm duas rodas, como bikes – rolassem habitualmente sobre calçadas? Viessem na contramão, no meio-fio, ignorassem semáforo e faixas, pedestres cruzando? Não, porque motos são multadas. Mas, e bikes? Não são veículos, como diz o Código? Bicicleta é inofensiva? É veículo, para ciclista em relação a carros; não é, em relação a pedestres.

É (seria) “simples”: que pedestres agissem igual cicloativistas: estes, com pulso firme e forte, propugnam por sua causa, não? Com muito sucesso “político”. E conseguem êxito!

Então, haveríamos que exigir, o que, de quem? Da autoridade municipal de trânsito, que esta tomasse medidas práticas, nas ruas, a fim de, dentro do cabível (viável), disciplinar o trânsito de bicicletas, fora de ciclovias. Como preceitua o Código. Este é o único “mejor camino”, hermano paulistano.

Rubens Cano de Medeiros

Ah, concidadão paulistano, com certeza, cabe uma reprovação. O caso daquela estreitinha (como todas) ciclovia, que vem “subindo” a Rua Madre Cabrini, para desembocar na Domingos de Morais.

Cicloviazinha de duas mãos, pintada junto do meio-fio da rua – de mão única – colocando pois ciclistas em contramão – claro, com a bênção do Código. Tal ciclovia então – aqui a crítica – literalmente “termina” – não na ciclofaixa próxima de lá, na Professor Noé de Azevedo – mas... no nada! É, no nada – constate-se, in loco.

Pois essa tosca faixa vermelhona, ela termina transversalmente à Domingos, paralelamente à faixa de pedestres, termina de cara com a guia da sarjeta da “ilha” – ilha que é a larga calçada que resulta da confluência Domingos com Noé. Pode? Pode.

Sem dúvida, é péssimo “acabamento”. Falta total de esmero, de capricho. Mais: de segurança. Para ciclistas. Para pedestres. Isso é solução?

Tanto assim é que, vindo o ciclista pela Madre Cabrini, ao chegar lá, restar-lhe-ão duas alternativas: adentrar a Domingos ou subir na ilha. Vejamos, caros cicloativistas.

Entrar na Domingos, trânsito intenso, perigoso de acidentes. Naquele trecho, sem ciclofaixa. Se o ciclista vira à esquerda, é ir na contramão ou na calçada: nota... zero! Errado. Se vira à direita, ou vai no meio dos carros, ou calçada. Idem.

Sobe na ilha. Pegará um trecho de calçada (aliás, ali, esse trecho de calçada é só mesmo uso de bicicletas, vê-se) até chegar à esquina da Lins de Vasconcelos. Então, restar-lhe-á cruzar a faixa de pedestres, no semáforo e – aleluia! – pegar a ciclofaixa da Noé. Que esmero, o projeto!

Embora até mesmo o próprio Código preveja a aberração de bicicletas na contramão e na calçada, naquele trecho supracitado só resta ao pedestre uma alternativa: rezar, para não ser colhido por bike. Que a Madre Cabrini proteja o pedestre! Livrar-se de um acidente, ali, é milagre. E milagre não é com “urbanista”: amém!

São cinco e meia da manhã. Na verdade, noite, ainda. Horário no qual todo dia vou buscar pão. Pessoas caminham, como eu, neste trecho inicial da Cursino. Gente que também se dirige à estação Alto do Ipiranga, do metrô.

Na confluência com a Santa Cruz e por uns trezentos metros ou mais, a Cursino é mão única. Não dá outra. Ciclistas então sobem na calçada. Se ficam na via, aí é na contramão, que prosseguem.

Ainda que bem iluminada, a Cursino tem trechos arborizados, o que escurece a calçada. E, para mim ao menos, inadmissível, pedalam à noite (madrugada)... na calçada! Lógico, ocorre por todos os lados da Cidade.

Pedalar na calçada – ainda mais, no “escuro”? Ora, é demais! É desprezar qualquer noção de prudência. Surpreender, o mais imprevisível que seja, quem caminha. Principalmente quando a bicicleta vem às costas do pedestre. É ou não estupidez?

Ciclista, todos sabemos, não usa farol ou farolete. Os pisca-piscas tipo LED? Iluminam “nada”. Ciclista também tira fina, não usa campainha... Entendo que, em sendo pedalar na calçada tão perigoso de atropelar quem caminha – um idoso, uma criança, um deficiente, gente conduzindo crianças – tão acintosamente imprudente, que – sem exagero – deveria se configurar “dolosamente eventual”, a infração.

Pedalar na calçada: ciclista se proteger? Ora, desculpa esfarrapada. A Cidade não oferece lugares seguros para bikes? Ciclovias, ainda são poucas? O próprio Código prevê compartilhar espaço? Nada disso justifica bicicleta na calçada. Como veículo, bicicleta tem que ir para a rua. Na calçada, nada de bicicletas, patins ou skates. Só pedestres.

Bicicletas, embora tenham tido placas, no passado remoto – muito antes do advento da CET – nunca foram alvo da preocupação das sucessivamente momentâneas autoridades de trânsito. A impunidade do ciclista é tal que pedalam, também, dentro de feiras-livres: entre os que fazem compras. Não há fiscalização.

Implantar ciclovias, por si só, não resolve a delicada questão “bicicletas nas ruas”. Pode parecer contraditório, mas deixar de fiscalizar bicicletas – consequentemente, consentir com a imprudência – expõe a acidentes não só pedestres, mas também o próprio ciclista.

Reveja-se o Código. Nem bicicleta na calçada, nem na contramão. Bicicleta na calçada, só criança, óbvio. Ou adulto conduzindo ou acompanhando criança que pedala. Adulto que ensine a criança a exercitar a cicloatividade ajuizadamente. Semente da civilidade. Para que, quando crescida, a hoje criança venha a ser o adulto que respeita o concidadão, como pedestre. Calçadas livres, um dia. Livres, de bicicletas. Porque, hoje, hein! “Qual o quê!”, como na música do Chico...

Pra que lei que proíbibe bicleta na calçada ? ninguém cumpre ; as pessoas que desviem dela em cima da calçada, por várias vezes já quase fui atropelada e consegui desviar, porque senão ia ser mesmo ser atropelada. Esse País e um vergonha ninguém cumpre leis e até zombam dizendo ninguém mepega!Eu ja fui agredida por um skate na calçada que saiu do pe´ de um rapaz e me jogou no chão, podia ter quebrado a minha bacia ou fraturado o coccix, mas ninguem cumpre as leis neste pais , por isso ja dizia Charles Degaulle em 1964 que este nao e um País sério e estava certo 80% das leis que existem são ignoradas e o povo faz o que quer.Pra que ciclovias se ninguem usa ?? A falta de educação e impunidade reinam !!!!!

Invocar o passado, a fim de estabelecer comparação, é dar ares de saudosismo ao discurso e, como é sabido, saudosismo é a tranca que trava as portas que se abrem – para o presente, para o futuro. Mas...

No passado paulistano bem remoto, bicicletas traziam consigo placas, farol, espelhinho e campainha. Sim, no tempo em que basquete era “bola ao cesto”. E ninguém ainda ousava o anglicismo bike. Bikes que eram pesadonas, de aço, aro maior, muitas importadas – inglesas, suecas, alemãs. Nacionais, a que não era Caloi, claro, de Monark não passava.

Bicicletas usavam um pequeno farol – que até iluminava, de fato, o caminho para o ciclista e o pedestre se acautelava da presença da... bike. Um tipo de farolete comum era o acionado pelo “dínamo” que girava, o ciclista pedalando mais forte, o troço acoplado à roda de trás. Era pedalar e... fiat lux! “Uma gracinha!”, talvez o dissesse a fulgurante Hebe. O troço iluminava.

O tempo e o vento... O tempo pedala infatigável quanto ininterruptamente trazendo consigo o vento “das mudanças” – inclusive as bicicletas. Que, obviamente, evoluíram para melhor: a máquina, não o comportamento do piloto.

Tornaram-se mais leves, mais bonitas e ágeis; ganharam marchas e ares de esportividade, umas assemelhando-se às de “corrida”. Lembro do velódromo, ao lado do ginasião, no Ibirapuera.

E no curso da “evolução” (bem, ...), as bikes urbanas – como que acompanhando as de competição – perderam TUDO: os tais “equipamentos obrigatórios” (rs, rs, rs!) viraram... acessórios! Opcionais: usa “quem”, “quando” e “se” quiser usar. Não há mesmo nenhuma fiscalização! Talvez, quem sabe, o desuso se tenha dado por questões de ordem “aerodinâmica”, estilo, patati-patatá... Ninguém usa.

Espelhinho? Ah, é muito... demais! Ciclista sequer sinaliza, de mão; não liga para o que vai à frente, quanto mais o que lhe vem às costas; faz conversões imprudentíssimas, sobe na calçada e volta para o asfalto: para que espelho? Espelho meu, espelho meu: há condutor mais imprudente do que eu? Que “eu”, hein?

Campainha, aquele trocinho “ring-ring”? Quê? Para o ciclista – dizem, põem dúvida – “serve para algo”? Para prevenir o pedestre, ao menos, sim. Já que bikes rolam na calçada, na contramão e, quando o trânsito tá parado, elas passam no meio dos carros, pedestre cruzando a via...

Em sendo a bicicleta veículo silencioso “por natureza”, rolar sem campainha – ou outro som mais forte – é perigosíssimo, a começar da incolumidade do próprio ciclista. Bicicletas motorizadas – pequenas motonetas – nem estas trazem buzina, é incrível o descaso. Mas... há fiscalização?

Voltando ao passado, diria o Adoniran: foi o “pogréssio” – que trocou os obsoletos (seriam?) faroletes – hoje, anacrônicos – por pisca-piscas tipo LED, claro! Só que... iluminam?

Aqueles ciclistas que usam, usam uns que expelem intermitentemente flashes de máquinas fotográficas (antigas, digo). Na noite, o pedestre vai atravessar e vê aquele “troço”, se aproximando, espocando: certamente um OVNI, a baixa altura! Um marciano (pedalando, lógico).

Outros, a magrela traz, à frente do guidão, uma luziquinha tão fraquinha... é a bicicleta dando carona a um... vagalume!

Enfim: isso é dar proteção, à noite, ao que pedala? É garantir incolumidade ao que cruza a via? E se levarmos em conta que bikes vão (e vêm) em contramão, até o motorista pode se complicar... involuntariamente. Mas... e a fiscalização?

Bem, o transcorrer do tempo tornou o mero “andar de bicicleta” em “cicloatividade”. Bikes ganharam as ruas e as ruas, ciclovias – muitas, inseguras e reprováveis, o que se viu.

O vento soprou para longe a prudência e o bom senso dos que pedalam nas vias paulistanas. Como que a responsabilidade dos “cicloativistas” – pelo menos, um grande contingente – se limitasse a uma dessas estreitinhas faixas vermelhonas, num destino imutável: do nada, a lugar algum.

Esse “troço”, essa solução viária esquisita, doida, isso deve ter sido gerado já há algum tempo. Eu, raramente passo a pé por lá, ingenuamente me surpreendeu. Av. São Luís, um dos dois lados das largas calçadas, logradouro ex-bulevar, que eu lá constatei. Lá, onde o formigueiro humano de pedestres, disputando espaço para tentar caminhar “livremente” – tanta gente que há – e vem a CET, bota bicicletas... junto de caminhantes! É o tal de “compartilhar” espaço: bicicletas e pedestres – por natureza, imiscíveis – agora, “misturados”... É, tal “solução”, dar um voto de confiança... à imprudência. Nota zero – com louvor!

Calçadas? E a tal prioridade do pedestre? Pois ali, bicicletas e monstrengos assemelhados (pedaláveis) – triciclos de carga, sem campainha – dividem exíguos espaços conosco, que caminhamos – pode? Ah, pode! Podem é atropelar um idoso, alguma pessoa conduzindo criança, ou um deficiente físico, não? Que ideia do legislador, hein! “Compartilhar”! É a “lei de trânsito”, consentindo. “Dura lex sed lex”?

Tal exceção, “compartilhar” – como nessa avenida – é tão-só transferir riscos. Tirar o ciclista da avenida, livrando-o do perigo dos carros, e colocar as bicicletas concomitantemente com os pedestres, expondo estes ao perigo daquelas. E, pior, ninguém “reclama”.

Outro detalhe, a sinalização. Que “alguém”, que cidadão paulistano vai atentar – ou entender – aquelas minguadas placas de sinalização, denotando o “compartilhar”? Que pedestre – e ciclista? – liga para placa alguma? Nem para semáforo!

Placas circulares, orladas de vermelho; uma bikezinha e um hominho, desenhos em preto sobre fundo branco. Tu és capaz de “identificar”, concidadão? Que “isso” quer dizer: sejam bem vindas, bikes, no meio dos caminhantes! (?). Mas é.

Ciclista, exemplo, já não liga nem para farol “comum”, ainda inventaram semáforo exclusivo para bicicletas! Um rigor que não encontra respaldo na realidade. É o superlativo do “demais!”...

Realidade da “cicloatividade” no asfalto paulistano: sem disciplina, sem atitudes “educativas”, isentas de fiscalização, bicicletas – que nem têm placas ou campainhas, a maioria sem faroletes – ciclistas fazem o que bem entendem. É o trafegar da falta de educação e imprudência.

Ciclistas paulistanos, isentos de fiscalização. Pedalam num “céu de brigadeiro”. Pedestres, ante riscos trazidos por bicicletas: flutuam... num mar das tormentas.

Embora ninguém se importe – e a mídia só se preocupe de apoiar cicloativistas e ciclovias – é estranho de como bicicletas rolam sem qualquer critério de controle e, principalmente, atitudes de disciplina e “educação”, nas ruas. Se bem lhe aprouvesse, a CET, ela que explicasse. Esperemos, “sentados”.

Como que é? “Prevenção”? Ah, sim! Todos sabemos: substantivo “comum”, classificam-no os gramáticos. É o ato de ter responsabilidade, acautelar-se, né? Porém, para protagonistas do trânsito paulistano... Pedestres, motoristas, motociclistas, ciclistas (melhor, “cicloativistas”)... É substantivo “incomum”, na mais das vezes.

É caso de criticar. Motoristas e mesmo pedestres, não são “santos”. Mas – prevenção – ciclistas?! “Sai de baixo”, hein! Pedalam por cima da tal prevenção com a mesma naturalidade com a qual pedalam nas calçadas! Pretextos nada deglutíveis é que lhes são “razões” para fazê-lo.

Dúvida “cruel”: acaso seria “prevenção” – muito embora com o absurdo amparo legal – conceder ao ciclista a prerrogativa de ele pedalar na contramão, caso das estreitinhas ciclovias de mãos opostas e contíguas, sob risco de um atropelamento – pelo veículo que vem (?) na mão certa? “Presente de grego”.

Não são “poucos”, tampouco “meia dúzia”. Um grande contingente de ciclistas – não vê quem não quer ver – pedala sem a menor prevenção – menosprezando a própria incolumidade física, quanto mais a de outrem – pedestres, principalmente. Circulam sem campainha e sem luzes. Luzes “próprias” (farolete e lanterna traseira). Luzes, para bicicletas? Só as dos postes. E a da Lua!

A Lua, sabemos, também não tem luz própria. Mas, toda noite, nunca na contramão, ela pedala em torno da Terra, numa ciclovia “imaginária”, por prevenção (não atropelar a Terra!), com luz emprestada – do Sol, né? Porque pedalar à noite, sem farolete, é total burrice. Cujo perigo se estende ao pedestre, que atravesse à frente dessa bicicleta.

Por sinal, ciclista é o único – dentre demais condutores – que transgride no trânsito, sem qualquer consequência: não é autuado – quem multa ciclista? Apreendem-se bikes? Pois não há sequer FISCALIZAÇÃO!

Ciclistas imprudentes – aquela “meia dúzia”, “alguns” (rs, rs, rs), que têm alergia por prevenção – esses daí, sim, inquestionavelmente, esses caras pedalam... “no mundo da lua”! Na contramão, claro...

Rubens Cano de Medeiros

Foi então que um “cartão-postal” paulistano, a charmosa Paulista, ela também resultou presenteada com ciclovia! Aliás, festejada ciclovia. A qual não foge, não escapa – o projeto – do praticamente comum, dentre as ciclovias. São pistas estreitas, mãos de direção opostas, contíguas. Essa ciclovia, a da Paulista, vemos, é aproveitamento da longa ilha central, que divide a avenida ao longo da extensão. Pelo menos, em princípio, é mais segura para travessia de pedestres, os quais só a interceptam nos semáforos, né? Só que... semáforo é mesmo confiabilidade, para pedestre? Ora, ciclista, ele é alérgico a sinal de trânsito!

Mas peraí: “menos” perigosa, tal ciclovia, para pedestres, quê?! Bem, em termos. Pedestre só a cruza no semáforo, certo, MAS... ciclista opta por vir a ser daltônico. Todo vermelho lhe é sempre verde – zzzupt! Claro, infringir dá... nada! Há fiscalização de bicicletas? Nem lei de trânsito, sequer lei do bom senso: para muitos, e muitos, ciclistas – notamos – vale é a lei “de Gerson”: tirar vantagem, cerrrto? Em tempo: e quem garante que onde há ciclovia – inclusive essa – não pedalam na calçada? Lugar algum.

Aqueloutras ciclovias, as pintadas no canto das ruas, junto à sarjeta, que primor de projeto! Infalivelmente – duas mãos opostas e paralelas, uma ao lado da outra – colocam o ciclista no contrafluxo de motos, carros, caminhões e ônibus, perigão de envolvê-lo em acidente. Então, talvez possamos concluir, caso destas ciclovias: importa mais a fluidez que a segurança! Deve ser.

Só não vê quem não quer. Imprudência geralmente é carona de quem pedala nas ruas paulistanas: sem capacete, sem campainha, sem farolete; pedalam na calçada, ignoram semáforos, fazem da contramão a habitualidade – tudo acintosamente, maior cara de pau – com fulcro na inexistência de fiscalização ou autuação, nem mesmo “campanhas educativas” (ter que “educar” um cavalão, é demais!). “Autuar” – para ciclistas, é verbo, não transitivo, mas... “intransitável”. Inimaginável.

A CET bota faixas pró-cicloatividade, “Motorista, dê preferência ao ciclista”, muito correto, e parabéns! Direção defensiva. More or less. E por que não – imparcialidade, igualdade de obrigações – faixas como “Ciclista, não pedale na calçada, nem na contramão – respeita o pedestre!”. Se a questão é mais “educar” que autuar... Deixar de fiscalizar – também o ciclista – é inexplicável, inescusável. Lamentavelmente, é o que é. Todos aquiescemos.

Quem sabe, uma política de atitudes educativo-preventivas, como que direção defensiva para ciclistas deliberadamente negligentes – fiscalizar, autuar, por que não? E o Código? Mas a opinião pública – e o Poder Público – são cegos, não? Parcialmente, pois SÓ, e SÓ, enxergam ciclovias! Como se fossem “tudo”! O que não são. Disciplinar é preciso.

Pedalar é preciso – racionalizar, parece, isto não é preciso – qualquer pessoa...

Rubens Cano de Medeiros.

Ao contrário dos demais veículos (bicicleta é veículo, não? É o que diz o Código), bicicleta não é submetida a mínima fiscalização. Mesmo porque, veículo, para ser fiscalizado, tem que ter placas, né? No passado remotíssimo, bicicletas (quando nem se falava bike) paulistanas, elas tinham. Nem por isso, entretanto, eram de fato fiscalizadas.

Então, ciclistas pedalam à margem da própria lei de trânsito, vemos. Por exemplo, na contramão. Impuseram-se esse hábito, como um “direito” – que pretextos idiotas abonam. E ninguém repele.

Daí, também, que para o pedestre – que vai cruzar a via, no meio do quarteirão – confiando no deslocamento do fluxo de veículos, na mão correta, essa bicicleta é o “melhor remédio” para atropelar! Que irracionalidade consagrada!

Bicicletas paulistanas, nunca serão fiscalizadas. Ciclistas nunca deixarão de rolar na contramão: usem, ao menos, campainhas! É o único jeito de alertar o pedestre, vez que bicicleta é silenciosa...mente imprevisível, imprudente, traiçoeira!

Campainha drrrim-drrrim serve “só” (?) para alertar pedestre?! Olha, com meu devido respeito à opinião alheia, mas... para que haveria de servir?! Homessa!, diria o Arrelia, nos anos 50... “Só” para isso? Ela É para isso!

O drrrim-drrrim é inócuo para ciclista buzinar para carros? Bem, são outros quinhentos. Adote-se outro som, outro equipamento, que garanta a incolumidade do ciclista. Mas pedalar “mudo”, é absurdo. Dos dois, ciclista e pedestre, quem tem que se mostrar presente é quem pedala, tenha dó!

Largar o guidão para buzinar? Por quê? Só se o ciclista não tiver... polegar, né? Cumé que motos buzinam?

O fato é que bicicleta não deve ser, na rua, para correr “adoidado” e, sim, com prudência. E, com “prudência”, envolve usar som e luzes. E tomar cautelas outras. Como não há fiscalização, é cada qual por si.

Mesmo tu, cicloativista, quando estiveres a pé, exercitando o pedestrianismo, tentes cruzar uma via SEM olhar mão e contramão: um “correligionário” teu, de duas rodas, se encarregará de te chegar “de surpresa”, no silêncio, prontinho para te acertar...

O fluir de bicicletas paulistanas – desordenadamente, sem campainhas, sem faroletes, na contramão, furando sinal... é o retrato fiel de como a autoridade de trânsito – o Poder Público – se preocupa com tudo o que não são... só ciclovias.

Se campainhas drrrim-drrrim, para o ciclista, elas não são “solução” – ora, que se busque outra saída – que não as estúpidas buzinas “a ar”, qual locomotivas. Agora, bicicleta afônica, muda, isso é perigo para pedestre. A não ser que, nesse universo de imprudência em que bikes navegam, caiba só ao pedestre prevenir-se dos que pedalam – nunca o ciclista ser cauteloso. Bom senso, né? É bom: não engorda e faz crescer (evoluir)!

Rubens Cano de Medeiros

Olha, nem são poucos! Não se trata de alguma “meia dúzia”, tampouco “exceções”. Sem exagero, pode-se garantir – basta reparar – ciclistas típicos, paulistanos, eles demonstram “alergia” – melhor, aversão – com a própria incolumidade física como com a de outrem. Quem, imediatamente, esse “outrem”? Pedestre, sem dúvida!

Não usam luzes nas bicicletas, quase todos. Nem as tradicionais campainhas “ring-ring” – cicloativistas há, na internet, na mídia, que alegam serem elas “fraquinhas” para alertar motoristas, de presença da “bike” – só que, tais campainhas, cumprem sua primordial função: alertar o pedestre que cruza a via, quando lá vem a silenciosa (imprevisível) bicicleta... “Fraquinhas”... (?) – então, não usa?!

Cumé? Bicicletas “cegas”, SEM luzes? Ora, basta olharmos! Ou não usam é NADA ou, se usam, é algum – não farolete – pisca-pisca branquinho. Que, iluminar, mesmo, para quem pedala... humm... “ilumina” o quê? Servem, claro, para alertar (?) o motorista – de que aquela “bike” vem vindo... na contramão! Uns desses pisquinhas, tão pequeninhos, parecem mesmo uma lanterninha traseira, só que... colocada na frente! Em vez de, esse cérebro que só pedala, adequar-se ao Código e botar farolete, o inteligente e cuidadoso... ele “improvisa”!

Luzinhas traseiras, de “advertência”, vermelhinhas? Tão fraquinhas, minúsculas... ainda se escondem sob o selim! – aquele que usa, né? Tal como os piscas no guidão, imaginem-se essas luzinhas anêmicas numa noite de nebilna... Que “cautela”!

Pedalar na calçada, claro, é perigosíssimo: pode colher o pedestre e, nesse tombo, o próprio “cicloativista” também “se” fraturar. Mas... e a impunidade? Pois acaso pedalar sem campainha e, à noite, sem luzes, é menos reprovável? Só que... ALGUÉM se importa? Sequer “campanhas” educativo-preventivas se veem... Na mídia? Só ciclovias.

Como vemos, o Poder Público, claro, acolhe reivindicações dos cicloativistas: ciclofaixas, ciclovias, multar motoristas – muito justo mas... e o outro lado, não fiscalizar a conduta de ciclistas fora dessas “ciclos”? Como fica a nossa incolumidade ante o habitual comportamento do enorme contingente que pedala imprudente, senão agressivamente? Nós, como pedestres, digo.

Posto que: pedalar na calçada, na contramão; furar sinal vermelho, não usar “buzina” muito menos farolete – enfim, cometer transgressões de trânsito impunemente – ora, isso é parte do cotidiano, sem novidades. Mas impõe-se, por si mesma, a estranheza: se há um Código, por que não a consequente fiscalização?

Rubens Cano de Medeiros

“Bike também mata” – só faltou, na frase-manchete do jornalzinho, desses, distribuídos gratuitamente nas manhãs paulistanas, só faltou o ponto de exclamação, para denotar indignação ou comoção que um infausto acontecimento pode trazer: o atropelamento, dias passados, ao lado da ciclovia – vermelha, tingida de sangue. Dirão, cicloativistas: e carro, não mata?

Quem não lembra, do episódio? Primeiro, a dúvida: foi NA ciclovia? Foi fora dela? Casualidade fatal? Imprudência, de alguma – ambas? – das partes? O certo é que FINALMENTE a mídia mostrou – mostrou-se não SÓ PRÓ-cicloatividade – mas a precariedade, o lado perigoso do mal projetado – mostrou o que são certas ciclovias.

“Bike também mata!” – bota a exclamação! O jornalzinho: “Não foi por falta de alerta. A ciclovia que fica sob o Minhocão sempre se mostrou perigosa por misturar bikes com pedestres...”. Eureka, a luz se fez! Até que enfim “perceberam” que esse tal, funesto, “compartilhar” – bicicletas e pedestres – é coisa arriscadíssima.

Pela própria “natureza”, simultaneamente, no mesmo chão, pedestres e bicicletas, coisas imiscíveis. Porém, notícias posteriores vinham a garantir (perícia policial) que o acidente terá sido fora da ciclovia. Entretanto, à parte o lamentável ocorrido, é preciso ressaltar duas “inseguranças” (sic): a de muitos “projetos” de ciclovias e a não-fiscalização de bicicletas nas ruas – dentro de ciclovias, mais ainda fora – porque trânsito não pode ficar sem fiscalização – principalmente bicicletas.

Bicicletas rolam nas calçadas. Vêm-nos, silenciosamente, e sem campainha, às nossas costas – “Bike também mata!”, ressaltou a notícia. Em sendo assim – nada se faz para coibir – nós, concidadãos, paulistanos, tomemos uma precaução.

Já que bicicleta não usa mesmo espelhinho retrovisor – para a segurança do ciclista – nem campainha e farol – nós, caminhantes, usemos então “espelhinhos... retrovisores”! É isso: encaixados no crânio, à altura da testa, um aro, com um espelhinho de cada lado – esquerdo e direito!

Para – finalmente! – prevermos ciclistas na nossa retaguarda! Um aro na testa, como uma... coroa de rei! Cujo nosso reinado, o território das calçadas, nos tem sido usurpado por ciclistas! Claro – suavizando – só “a meia dúzia” de imprudentes... Ah, tá! Uma... “minoria”...

Ciclista, o que acintosamente imprudente, tu, lembra-te, acautela-te: “Bike também mata!” – de qualquer lado. Tem razão o jornalzinho.

Rubens Cano de Medeiros

“Ciclistas reclamam da falta de orientação para pedestres e bikes”, o jornal da segunda-feira (e, aliás, como se ciclista algum também respeitasse algo...). Ah, não! Não se tratava, a matéria, da absurda convivência (ou tolerância?) diária, que vemos nos calçadões do Centro, pedestres e imprudentíssimos ciclistas: bicicletas, as comuns e as insolentes, de entregas, assim como aqueles brucutus, os triciclos pedaláveis, de carga. Veículos esses, engenhocas de desrespeito que “dividem” espaço que DEVERIA ser exclusivo de caminhantes. Bicicletas e pedestres “compartilhando”: um ir-e-vir propício a acidentes.

Pois a “reclamação” referia ao dia anterior, domingão paulistano recheado de sol. De quando inaugurada a ciclovia da Bernardino e consequente interdição da Paulista – esta, então, virou praia! Só lhe faltaram um mar e um salva-vidas! Este, que tivesse ficado encarapitado num posto de observação – lá no emblemático MASP! Donde ele haveria de contemplar quase toda a Avenida e, assim, poder salvaguardar, não banhistas do asfalto, mas pedestres – ante o risco de atropelamento por desordenadas bicicletas. Ele, um “salva-pedestre”.

O jornal entrevista (curtinha) um cidadão alemão; engenheiro, passeando a pé, com a família, consta – turista, seria ele? Que se impressiona com tanta bicicleta no meio de tanto pedestre – balbúrdia, essa “mistura”, subtende-se. Transcrevo-lhe as palavras. E dou um placar, de comparação, “lá” e “aqui”.

Ele, o germânico: “Na Alemanha, ciclistas têm que se comportar” (puxa, 1 a 0!) – “Lá, eles têm cartas de habilitação...” (bem, rigor exagerado mas... 2 a 0) – “...e são punidos em caso de infração” (golaço! 3 a 0!) – “Aqui, eles (ciclistas paulistanos) ainda não criaram essa consciência” (4 a 0...) – “Falta coordenação” (ganharam a taça, 7 a 0!!!) – “Mas se virar costume, eu acho legal” (golzinho de honra, 7 a 1). “Coordenação”, disciplina – virar “costume”, ciclista paulistano?

Fiscalizar ciclistas nas ruas? Ora, atitude, aqui, à qual qualquer ciclista daria cartão vermelho! Cor do semáforo que eles ignoram, mas a mesma cor das ciclovias que adoram! E vermelho, da raiva que, parece, ciclista nutre por pedestre!

Certamente, às margens do Reno e Danúbio, mesmo com exceções, deve haver “coordenação”. Já aqui, às margens plácidas... do Tietê, nem que a vaca tussa! Bicicletas sequer têm placas, ou equipamentos ditos obrigatórios! E mais: infringem, impunemente, senhor alemão! Pior: nós, como pedestres... nem aí!

Cume-que-é? “Fiscalizar” ciclistas? Sim, reconheça-se: missão chata e difícil, antipaticíssima e talvez trabalhosa de executar – mas necessária, a bem da incolumidade “geral”. Hã!? “Autuar”, ciclista que infringe? Ah, o pretexto oficial: “indústria da multa”!

A “desordem” notada pelo teuto cidadão é – no trânsito maluco das “bikes” – só a ponta do iceberg – já que sem fiscalização. Para ciclista típico paulistano, a MELHOR distância entre dois pontos nem é até uma reta, mas com certeza a calçada e a contramão – e o vermelho do semáforo, que lhe é sempre “verde”...

Ciclista não-imprudente é só o que fica em casa. Então, nós, concidadãos, paulistanos – como pedestres, COBREMOS fiscalização às bicicletas. Desse mesmo Poder Público que, atendendo os anseios de cicloativistas, sabe muito bem espalhar vermelho no asfalto. Como diz o professor, “é isso!”. E olha que é!

Rubens Cano de Medeiros

Olha, onde tem ciclovia, a impressão que (me) passa, é ciclista pedalando “certinho”, exercitando a cicloatividade (putz!) de modo civilizado, porque fora dela(s)... Hipotético, irreal: mas dispusesse São Paulo, ciclovia em cada “logradouro” – quem disse que ciclista não ia mais desrespeitar – normas e pedestres? Ledo engano! Como não há fiscalização a bicicletas, então ciclista faz o que quer. Ninguém reclama.

Não deve prosperar vontade “política”, fiscalizar bicicletas – cicloativistas nem permitem, claro! Pior, então, para nossa incolumidade, concidadãos, enquanto pedestres. Pois ciclistas, quem não sabe?, ignoram semáforos, adoram contramão, pedalam nas calçadas e, o ápice da burrice e irracionalidade, abstêm-se de o equivalente a buzina – as campainhas ring-ring, essenciais para alertar pedestres – e também faroletes: pedalam à noite, “escuros”. Nas trevas – inclusive intelectivamente.

Realmente de intrigar: por que pedalar sem luzes? Intriga igualmente, no trânsito, permitir que bicicletas – veículos que são – despojem-se de equipamentos... obrigatórios.

Implantam-se ciclovias (umas, pintadas nos cantos das ruas, estas botam o ciclista, numa das mãos, opostas, no contrafluxo da via); multam-se motoristas que desrespeitam ciclistas, certo, mas... e quanto a ciclistas respeitarem “nada”? Não traz riscos? Inclusive a eles mesmos? Não é, esta omissão – deixar de fiscalizar bicicletas – desassistir pedestres?

Espalham-se faixas (“educativas”), “motorista, dê preferência ao ciclista”; ora, por que não – igualmente – “ciclista: dê preferência ao pedestre”?

Ciclista paulistano, qual não pedala na calçada? Sim, é proibido, “você sabia?”. E daí? Uma vez que nada concorre para refrear... Pedalar na calçada, claro, só crianças – e com extremo cuidado.

Nem seria necessário saber da lei. Pedalar na calçada é tão absurdo que o mero espírito de civilidade já nos basta para condenar essa grosseria carregada de imprudência. Estimulada por impunidade, diga-se.

Pior que a própria lei de trânsito abre perigoso precedente: ciclista “compartilhar” calçada e calçadões com caminhantes! Mude-se – em nome da sensatez – essa ideia esdrúxula. Calçada, calçadão? Só pedestres.

Eu, leigo de trânsito – mas cujo cérebro não se ativa só por pedaladas – sem querer ser insolente, me atrevo a sugerir. Esse alerta, essa mensagem de cunho preventivo, educativo, da internet: “Andar de bicicleta na calçada é proibido, você sabia?” – muito sugestiva, aliás, claro – ela havia que constar, de montão, espalhada também em faixas, pela Cidade inteira! Só que, sem fiscalização nas ruas, a eficácia do alerta é um... pneu de bicicleta: murcho!

Mais: esse “esclarecimento”, esse aviso, esse troço, devia também gerar cartazes, folhetos, grudados em CADA poste, de cada calçada paulistana: só porque é na calçada que ciclista, maior cara-de-pau, ciclista pedala! “Você sabia?”. Claro. Quem não?

Rubens Cano de Medeiros

Pequena matéria de jornal de bairro, do Ipiranga. “Ciclovia disputa espaço com pedestre” (melhor, tira-lhe esse espaço). Uma foto bem ilustra a esquisitice, a tal ciclovia. Uma calçada, de ponta a ponta, tomada literalmente (comprimento e largura) por um extenso vermelhão – segundo a matéria, fruto de um “projeto” (que projeto!) que originou a ciclovia.

Quer dizer, diz-nos a foto: pintar TODA uma calçada; espalhar aquele horroroso vermelhão; sequer sinalizar, nem de solo, separando mãos de direção para quem ali (indevidamente) pedala; tirar o espaço, que lhe é privativo, a calçada, do pedestre – “isso” é projeto de ciclovia? Ora: andar de bicicleta na calçada, não é proibido, diz o Código? Incoerência.

Tal “solução”: inspirou-se de quê? Da Holanda? Alemanha, Dinamarca? Tóquio, Nova York? Ao que parece – basta a foto – de “Deu a Louca no Mundo” (paulistano). Eu nunca iria pedalar num esdrúxulo desses, que bota pedestres sob risco.

Prossiga, jornalzinho ipiranguista. “Trechos da ciclovia implantada na Francisco Mesquita não estão agradando os moradores e comerciantes”, diz a matéria. Por certo, terá agradado ao Poder Público, que a pintou. Prossegue: “Uma parte da faixa exclusiva foi pintada sobre a calçada, dificultando o passeio entre pedestres” – consertando o que está “certo”: dificultando pedestres circularem NO passeio, vulgo calçada.

Nem é preciso ler na íntegra. O arremate é este – vê se pode! “Segundo a CET – diz o jornal – o projeto levou em conta a quantidade de pedestres (sic) em circulação na região”! Raciocinemos, que não tem contraindicação.

Primeiro, ciclovias como essa – que afrontam a proibição (inútil) de pedalar na calçada – parecem ter sido pintadas a esmo. Que ganho traz para ciclista, algo desse tipo? Que fluidez de “bikes” isso garante? Tira a bicicleta da rua, mas expõe pedestres a risco.

“Quantidade de pedestres”?! Quem, como e onde “avaliar”, se é que essa avaliação faz algum sentido? Calçada é de pedestre, passem por ela poucos caminhantes ou muitos. Que visão maluca! Ainda que a própria lei de trânsito admita (equivocadamente – mudemos a lei), e mesmo que “devidamente sinalizada”, calçada NÃO PODE SER de bicicletas: mesmo que na Holanda ou Nova York. A belicosidade de que se reveste nosso trânsito nem permite essa “convivência” arriscadíssima, pedestres e ciclistas simultâneos, mesmo chão.

Pelo visto – só de olhar a foto, nem é preciso ler a reportagem – essa ciclovia da Francisco Mesquita já nos dá ideia de que pedestre paulistano – no que tange à integridade física ante desordenadas bicicletas – pode não estar em “boas mãos” – já que não se fiscalizam bikes. E não está mesmo!

Indiscutível, estamos é – quanto a almejar alguma civilidade, nas calçadas – nas mãos dos que conduzem (são conduzidas) guidões muito afoitos... E impunemente, aliás.

Enfim... Nessa “linha de raciocínio”... ou seja, onde pouco pedestre “pode bicicleta” (putz!), é de inquirir: por que bicicletas e triciclos pedaláveis nos calçadões do Centro onde – milhares de pedestres! – nem espaço há para pedalar? Bicicletas nos calçadões? É algum “projeto”, com base no “Inferno de Dante”, certamente...

Rubens Cano de Medeiros

Certa matéria, jornal paulistano do dia a dia. O título – e a declaração da autoridade – convidam a comentar: “Motocicletas lideram o ranking”; “Acidentes de trânsito são uma epidemia na Capital.” Epidemia? Claro que é: tudo a ver com educação, civilidade – porque normas de trânsito não faltam.

Certamente não contabilizados os eventualmente causados por imprudência, negligência e até imperícia de ciclistas que menosprezam normas do Código – por que não? Irreal, acaso? “Todos”? Muitos.

Comparações? Só que enquanto motoristas são... milhões, ciclistas paulistanos milhares. Embora, óbvio, ciclistas atropelem com “menor gravidade” (dir-se-á), podem ser fatais. Daí, inaceitável imprudência TAMBÉM de guidões e pedais. Ou para ciclistas não valem normas?

“Motos lideram” – e são fiscalizáveis! Já se imaginou, fossem como bicicletas – o fluir – livre, leve, solto? Tal como ciclista, moto ignorasse acintosamente mão de direção, semáforo, rolasse na calçada? Por que bicicleta “pode”? “Me dê motivo...”, a música.

Ciclista pedala junto à sarjeta, em contramão: atravesses a rua sem te preocupares com olhar NOS dois sentidos! “Confies” só no fluxo da via... Tu irás engrossar a estatística dos atropelados! Pior que certas ciclovias ainda botam o ciclista NA contramão, “oficialmente”, consentidamente. “Dura lex sed lex”, essa, a do trânsito! Lei também deve mudar.

Ciclistas desobrigam-se dos chamados “equipamentos obrigatórios”, de segurança. Nenhum usa campainha. Um ou outro, “piscas” que entraram no lugar dos antigos faroletes. “Pisca”, emitindo flashes, ilumina algo? Ou só serve mesmo para mostrar ao motorista que, à noite, lá vem ciclista – piscando – na contramão...

Um exemplo, dentre outras “imprudências”. Todos sabemos, bicicleta é silenciosa. Por isso, para o transeunte, imprevisível e repentina. Perigosa, surge “do nada”, quando atravessamos a rua, quando cruzamos o semáforo (ciclista não para); traiçoeira, cobra venenosa, quando nos vem às costas, na calçada! E mentes bitoladas que pedalam ainda se manifestam – na mídia, na internet – que campainha, para bikes, são... “inúteis”, tão fraquinhas, ciclista “alertar” motoristas... quando a função da campainha – que lhes parece “obsoleta”, “anacrônica” – é só SIMPLESMENTE alertar o pedestre – lá vem uma inesperada “bike”! Inútil? Equivocadíssima apreciação. Pedalar é preciso, prevenir... “Inútil”... “Polêmico”, né?

“Epidemia”? Não só o paulistano, sabe-se, trânsito de grandes cidades é virulentamente agressivo: anticidadania virótica, galopante – e até pedalativa. Basta – nosso caso paulistano – a simples atitude de sair ou entrar em garagens: primeiro o veículo – carro, moto – depois o pedestre, passando, na calçada.

“Epidemia” – a da reportagem: motos lideram o ranking, mas... Certamente, a julgar por ao menos dois eventuais fatores... Cada dia mais bicicletas nas ruas; nenhum controle de fiscalização delas – e exceto só pensar em ciclovias... Não longe, então, um dia paulistano – estatísticas hão de denotar: num desses surtos epidêmico-viários, também presente estará o vírus pedalador. Contra o qual, com certeza, nenhuma imunidade (o pedestre) – só, a de sempre, impunidade! Ou será que, “devagar”, “com cuidado”, aí pode infringir?

Bicicleta, por experiência, eu sei: tudo de bom! É lazer, exercício; é saúde, é vida! Só que mal usada, claro, pode até... matar. Não deve ser só botá-las em ciclovias. É preciso domá-las.

Rubens Cano de Medeiros

Bicicletas, nosso trânsito paulistano. Circulam na noite, na madrugada – no escuro, ainda, quase amanhecendo... sem luzes, muitos, da totalidade de ciclistas, como vemos. Nem farolete (que sequer existem como tal), nem lanterninhas traseiras. Por si mesmos, desobrigam-se de cumprir normas de trânsito. Talvez por lhes parecer obsoletas, abstêm-se de usar tradicionais campainhas “ding-ding” – tão facilmente acionadas pelo ciclista sem largar do guidão: só se o cara... não tiver polegar! Bicicleta, bem sabemos, é veículo silencioso – repentina – correndo feito doida... Ai do pedestre!, que atravesse sem percebê-la!

Quê? Espelhinho retrovisor? Piada! Esse “acessório”, a habitualidade, ciclista se encarregou de desterrá-lo dos guidões. Ora – espelhinho – para quê? Pois ciclista nem liga para o que lhe vai à frente, como ligar para a retaguarda? Manobra sem sinalizar, de mão – faz conversões perigosas, imprevistas. Também por isso – também, ainda que não só – vez por outra, infortunadamente, botam uma horrorosa “ghost-bike” por aí...

Ah, sim! Antigos faroletes – a evolução das bikes, ares de esportividade – mudanças de comportamento de ciclistas; a disseminação do uso das bicicletas urbanas... Faroletes “evoluíram” para... pisca-piscas, que emitem flashes! Que muitos e muitos ciclistas nem usam... Mas – indiscutível – servem para algo: mostrar, à noite, ao motorista que vem vindo ciclista – na contramão da via! Não tá bom?

Lanterninhas vermelhas, traseiras, para alertar motoristas – “cuidado com bike!”. Bem, os que usam, pequeninas e insignificantes para ser notadas – escondem-nas sob o selim. Quando antigas bicicletas – nem eram “bikes” ainda! – tinham parachoques, algumas lanterninhas até acendiam, mas a maioria – descaso com incolumidade – eram só “olho-de-gato”. Refletivas.

Quem devia até dar exemplo – pedalar “politicamente correto” – “conviva” com a prudência – não usam nem farolete (no lugar, um cestinho porta-trecos, no guidão), nem lanterninha: no pára-choque, simulacro “adesivo”, de lanterninha. Mentalidade: bicicleta é para estar imune de obrigações – só desfrutar! As bicicletas, umas laranja; outras vermelhas. Onde tem ciclovias, lá estão elas.

É um descaso “ecumênico”: todas modalidades de bikes. Nem mesmo – note, quem quiser – bicicletas “policiais” de PMs, que policiam pedalando – no Anhangabaú, na Paulista, nos calçadões do Centro, nos bairros – aqui – ... Tão afetos a trânsito, dão “exemplo” de como usar bikes sem equipamentos obrigatórios!

Para nós outros, concidadãos, paulistanos, enquanto pedestres – uma turminha de contingente considerável – do mesmo modo como milhares são os ciclistas – turma da qual faço parte, os idosos paulistanos, para nós, ciclistas imprudentes e aversos a normas de trânsito são particularmente perigosos. Devido às peculiaridades de como ciclistas se deslocam – nas ruas e nas calçadas – nós, os mais velhinhos, somos um alvo mais vulnerável de eventuais acidentes. E como! Daí, também, necessário disciplinar essa mobilidade, tão afeita ao oportunismo – muito mais que ao “politicamente correto”. Alguém se importa?

Inquestionável: dê-se liberdade, e o devido lugar ao sol, à tal cicloatividade. Claro, garanta-se-lhes, aos ciclistas paulistanos, um fluir cada vez mais seguro – exigindo-se-lhes, contrapartida, o devido respeito a outrem. Ora, inviável, inexequível, politicamente desaconselhável fiscalizar e autuar bicicletas? Busquem-se outras atitudes – “educar” (putz, ter que educar cavalões...) e prevenir de acidentes. Imprudência é sempre burrice, de onde vier, quem não sabe?

Pedestre paulistano – especialmente idoso, hein! Tu, que sais – trabalho, outros encargos – pelas calçadas, à noite – cedinho, ainda escuro: “tá ligado”? Bicicletas rolam no escuro, cegas – de luzes, de inteligência. Te pegam numa contramão. Ou na calçada – onde pedalar é “proibido” – mesmo com o testemunho da lua e das estrelas...

Rubens Cano de Medeiros

Primeira vez que deparei com “aquilo”, já intrigou: por que “deixaram” aquela esquelética sucata, branca como anemia, ali no canteiro central, Jabaquara com Boninas? Que mau gosto e feiúra! A mídia se encarregou de esclarecer, aquela geringonça: ghost bike. Com o tempo, vi outras, por aí, “alhures” paulistanos. Indignação e revolta, querem elas traduzir. Só que...

Com meu respeito ao sentimento... À dor alheia, certo. Mas – indignação e revolta decorrente de eventual desrespeito, no belicoso trânsito – justamente por parte dos que respeitam NADA? Incoerente.

Respeito por uma vida humana, claro que sim. Mas, hipocrisia – é, isso – à parte. Por exemplo: tu caminhas na calçada. Então, inesperado, imprevisível, um “vento” – qual fantasma – passa perigosamente vindo de tua retaguarda – “vuuupt!” – não te atropela, traiçoeiramente (como prever?), por um triz! Nem “buzina” o cretino tem! Ou na virada da esquina, igual. Pois toda bicicleta é um fantasma: silenciosa, repentina, furtiva. Menospreza incolumidade física de pedestre. Ghost.

Ou tu vais cruzar o semáforo, na “segurança” do vermelho para os veículos (teoricamente). Então, fantasmas silenciosos – de dia, sem buzina; à noite, cegos, sem faroletes – impunes – bicicletas se insinuam entre carros parados e – vuuupt! – passam “babando”! Do “nada”, te tiram uma fina: fantasmas, ou não?

Ah, tem as ciclovias – por onde flutuam fantasmas no asfalto! Aquelas pintadas no canto da rua, em que consequentemente numa das mãos o ciclista (inteligentemente) resulta no contrafluxo da via, “de cara” com os carros! Primeiro, fluidez; depois, segurança.

Nessas ciclo-soluções, tu vais atravessar – nem sempre decorre de vir a ser no semáforo. Como bicicletas não usam “buzina”, tu, pedestre –, mesmo que atento – corres o risco de ser colhido por um fantasma pedalativo – “zuuum!” – que, se for desviar de ti, dará de cara com... um carro! Ciclista freia? Desmonta? Ghost.

Pois toda bicicleta – muda, cega, silenciosa, imprevisível – é fantasma. Notícia curtinha de certo jornalzinho: “Ciclista atinge idosa na Faria Lima” – bem, acidentes são da vida. Tem mais, o jornal: “... para evitar os recorrentes acidentes após a expansão das ciclovias...” – eureka! – “... a Prefeitura lançou a Cartilha do Ciclista, com várias dicas”, encerra o jornal. “Dicas”: melhor que disciplinar ou fiscalizar, não? Inteligente e por certo eficaz. “Cartilha”? Ué, não tem uma, tal de Código de Trânsito? Depois de bicicleta de bambu, que surgiu na pré-História, rodas de pedra lascada, a Cartilha deverá ser a “invenção da pólvora”!

“Não acredito em fantasmas – mas que eles existem, existem!” – e até pedalam – e até nas calçadas!

Trânsito de bicicletas, paulistano. Desorganizado, ciclistas oportunistas e imprudentes, na contramão da racionalidade e da própria civilidade. Certamente – ainda que não todas – uma ghost-bike deverá mesmo espelhar essa conduta – quem sabe, TODOS – dos que pedalam – nas ciclovias, fora delas – tendo como última preocupação a incolumidade e a segurança – a própria, a de outrem. Triste e feiosa, uma ghost bike!

Rubens Cano de Medeiros

Bem sabemos: bicicleta, claro, é “tudo de bom”. Bom? Sim, desde que usufruída, exercitada civilizadamente – respeitando-se normas de trânsito e o pedestre. Sem hipocrisia: bicicletas paulistanas, são desse modo?

Leve, ágil, versátil. Fragílima, embora até se pretenda “ombreá-la” com carros. Ah! Inofensiva, bicicleta não é. Imprudentemente cavalgada – melhor, mal pilotada – pode matar o próprio condutor, quando não um transeunte (até na calçada). Silenciosa, surge perante pedestre – na calçada, na rua – repentinamente, do “nada”! Traiçoeira, sem se anunciar (não tem buzina), passa tangente ao pedestre, vindo-lhe às costas, “zzzpt”! Tirou fina!

Perigosíssima de atropelar, ao atravessarmos a pé no semáforo, na faixa – sim, no sinal verde... para o pedestre. Ela, a bike – que não para, só desvia – irrompe imprevisivelmente, por entre carros parados. Ou quando vamos cruzar a via e, ingenuamente, “confiamos” na mão de direção: então, na contramão, fantasmagórica, como um vento, “zuuum”!, ela passa – rente à guia! Por pouco, hein!

A cartilha – isto é, o Código – garante: bicicleta é veículo. Assim, era para ser alvo de rotineira fiscalização, como os demais. No entanto, estranhamente, é o único que circula impunemente sem “buzina”, farolete e espelhinho. Nada de mais grave, perigoso, nisso – nessa omissão? Nenhum risco, será?

Ciclista (se) “prevenir”? Alguns, lhes bastam capacete e óculos, valeu! Capacete que nem protege a face, numa queda – só o topo do crânio (que no caso de muitos ciclistas, pelo como se comportam, crânios ocos). Fantasiam-se, também, de competidores – a vestimenta “alerta”, talvez, motoristas: “olha a bike!” – colorida e chamativa. E, isto posto, é sair pedalando em total contrariedade ao Código: infringindo TUDO! Cicloatividade. A paulistana, é.

Sem exagero. Bicicleta até é o veículo mais “fácil” de acidentes, e de atropelar (pelo menos, motos e carros não rolam nas calçadas). Dirá o cicloativista obstinado: bicicleta atropela MUITO menos, e com MENOS gravidade! “Furado” – qual pneu de bicicleta que o prego pegou: vazio.

Bicicletas paulistanas. Um trânsito aquém do controle, de disciplina – por quê? Até como que um fanatismo impele ciclista a “ter” que pedalar – incondicionalmente, por ideal – afrontando o próprio bom senso e a precaução: per ardua ad astra!

Por exemplo, a “determinação” bizarra. Sites que estimulam, apoiam e até dão “dicas” de como “pedalar na chuva”! Quando dirigir auto – muitíssimo mais de estabilidade que a engenhoca “bípede” – já requer cautela redobrada... Pedalar na chuva: sensato não seria aconselhar “NÃO”? Na chuva, é concorrer a ghost-bike. Por certo.

Pensar em bicicletas paulistanas comportando-se civilizadamente... utópico, irreal – sem fiscalização de trânsito, improvável, impraticável. A preocupação é ter ciclovias.

Quando bastava que ciclista só acatasse o estatuído pelo Código, como os demais condutores – claro, não sem a indispensável fiscalização (e autuação – esta, claro, para ciclistas, nem pensar!).

Sim, é fundamental garantir ao trânsito de bicicletas fluidez e segurança ao ciclista, que só ciclovias criteriosamente adotadas podem assegurar: e não botar o condutor em contramão, tampouco despejar bicicletas no meio de transeuntes. E muito menos permitir bicicletas nas ruas sem fiscalizar-lhes o tráfego, sem o que resta sob risco a incolumidade física de qualquer cidadão – ora motorista, ora motociclista ou ciclista – indiscutivelmente pedestres. Bicicleta na calçada... na contramão... furando vermelho... “Justifica” uma placa: “Sujeita-se a guincho, a civilidade”.

Rubens Cano de Medeiros

Ah, pedestre paulistano, então tu caminhas, espontânea e naturalmente, nas nossas – muitas delas – sofríveis calçadas... Via de regra, obstáculos e adversidade não faltam. São lixeiras, barraquinhas; buracos e pisos irregulares – ufa! Não bastasse tanta inconveniência, mais outra: infalível, imprevisível – perigosa de nos atropelar!

Súbito, à nossa frente – ou, até pior, vindo-nos às costas – zzzpt! – sem se “anunciar” (não tem buzina), passa tangente, tirando fina, ei-la: bi-ci-cle-ta! Quê?! Andar de bicicleta (“cicloatividade”) na calçada, “proibido”, é? Pegadinha do Faustão?

Vemos da internet. De declarações a jornais, ciclistas se valendo de pretextos. Pedalar na calçada? “Não há ciclovias o suficiente.” “Mais seguro, ciclista se proteger de carros...” etc. Na realidade, atentar contra incolumidade física do pedestre. Impunemente. Cicloatividade: mobilidade mal exercitada, qualquer sentido – na mão e na contramão.

Olha, sem exagero – pois basta olhar um ciclista na rua, nada mais. É genuína imprudência. Como, não “generalizar”? E tem como? Não são poucos, não é pouca coisa: pedalar na calçada (qual não?); contramão (quem não?); ignorar vermelho de semáforo (algum se detém?); qual usa campainha, para alertar pedestre? À noite, bicicletas não têm luzes – aqui, sim, exceções: um ou outro, toscos pisca-piscas. Embora não cause comoção, é uma habitualidade perigosa – para o próprio ciclista, quanto para outrem. Burrice norteia essa mobilidade.

Sites de cicloativistas reforçam a obstinação, fanática até mesmo, pedalar sob qualquer custo, pedalar incondicionalmente, prudência à parte: sob chuva ou, outro exemplo, nos calçadões do Centro (absurdo “compartilhar”) onde a miríade de pedestres mal encontra espaços para caminhar livremente. E os caras pedalam...

Nessa apreciação – até pitoresco – um entusiasta do guidão antevê bicicletas paulistanas até – sua importância – como... “transporte de massa”! Mais ou menos deste modo. Uma engenhoca absolutamente “individual” poder ser transporte... “de massa”.

Bicicletas como transporte “de massa” – um metrô pedalável. Horários de pico, talvez ciclovias “non-stop”, verdadeiras freeways, onde – qual colossal procissão – milhares de ciclistas, um ao lado do outro, indo ou voltando do trabalho, bicicletas exercendo – desempenhando – papel à altura de sofisticados sistemas como o metroviário, ou mesmo ônibus BRT etc. “Transporte de massa” – nada mau para bicicletas, em comboio... na Paulista!

O cara tem razão. Bicicleta até É, em São Paulo, um transporte de... “massas”. Trânsito desorganizado, revel a normas do Código, fluindo segundo “regras” de oportunismo (ciclistas) e desrespeito grotesco ao pedestre – e por tudo que (generalizando) ciclista paulistano faz de reprovável, e impunemente – bem, bicicletas são um transporte de massas... encefálicas ocas, vazias!

Ciclista imprudente? Claro, não é exclusivo de São Paulo, mas... Com licença, Noel Rosa, com licença, Mário Reis... Imprudência nos pedais é bem “coisa nossa” – paulistaníssimas “nossas coisas”! Coisa nossa. Transporte... de massa – por que não, na calçada?

Rubens Cano de Medeiros

Ônibus, motos, carros – antes de atropelar ao menos “podem” buzinar – tentando alertar o pedestre, quem sabe esquive... Já bicicletas – embora atropelem muito menos – também podem até matar. Só que ciclista paulistano – não admira se nenhum – se abstém de equipar bicicleta com campainha. Aliás, compatível – essa “buzina” – com a natureza da bicicleta. Talvez ineficaz para carro respeitar, mas primordial para alertar pedestre atravessando a rua.

Surpreende de como nós, os concidadãos – a opinião pública – aceitemos que essa mobilidade se exercite – dentro e fora (principalmente) de ciclovias de modo tão desrespeitoso, às normas de trânsito e à incolumidade física do pedestre. Pois se até na calçada, impunemente, pedalam. Ou agente de trânsito autua ciclista?

Em termos de “prevenção de acidentes”, ciclistas que se “previnem”, a eles só lhes basta usar “capacete” e óculos – e há os que se vestem colorido, bizarro – parecendo traje de competidor – certamente para se fazer notar dos carros. Já prevenir o pedestre, ante uma engenhoca silenciosa e inesperada, ciclista “tá nem aí”, com campainha e farolete. “Farolete”, quem usa, via de regra é um esquisito pisca-pisca, que mais lembra uma lanterninha, de carona no guidão. Sem campainha, sem luzes, é dar-se a si mesmo atestado de... burrice.

Atitude de “educação no trânsito”, será? Pequenas placas amarelas (se é que alguém liga, ou sequer toma conhecimento...), ingenuamente “lembrando”, “Ciclista só atravesse no verde” – uma conduta de civilidade no trânsito. Só que... ciclista tá acostumado – SÓ no verde? Para bikes, gostoso é pedalar sob céu azul... e “só” verde... no farol! Vermelho não existe! Semáforo é para carro – coisa que bike não é...

Bicicletas, claro, evoluíram no tempo, só podia. Do design à disseminação de uso – urbano e fora-de-estrada. Porém, o comportamento do ciclista... Ciclista paulistano, nada mudou: desde muito antes de nascer a CET! Sempre foi – e é: pedalar na calçada; contramão; furar sinal; não usar nem campainha, nem farolete; não respeitar pedestre. Um statu quo garantido por impunidade.

Até vale uma comparação. “Ei, ei! Minha voz mudou! Mas meus cabelos, continuam os mesmos!” – velho “reclame” da tevê, do xampu, que a loirinha – depois loiraça – protagonizava, muitos lembrarão. Assim é a relação entre bicicletas e ciclistas, paulistanos – respectivamente. “Uma”, mudou; “outros”, nadinha... “Ei, ei!”: ciclista faz o que bem entende!

Ciclovias à parte, ciclista paulistano – o habitual – se assenta no trinômio “oportunismo, imprudência e impunidade”. Os dois primeiros fatores, por conta deliberada de quem pedala; o último, por quem devia fiscalizar... os dois anteriores. Bastava que ciclista seguisse o Código – e só!

Não sou contra bicicletas, mas “tenha dó”! Dos milhares de ciclistas, TODOS são imprudentes, negligentes ou desrespeitosos? Não: há exceções. Exceções que – comparação, de volta ao passado – dão para “lotar uma Kombi!” – sem precisar se apertar, dentro dela! Kombi, hein! Talvez, Romi-Isetta...

Rubens Cano de Medeiros

“Educação. Civilidade. Respeito. Cidadania”. Sim, né? Termos de que todos gostamos... de ouvir, pronunciar... e “ver”! Ver, tudo isso, principalmente partindo... dos outros! E sobretudo no nosso trânsito paulistano. Trânsito, onde tais “significados” resultam comumente vilipendiados. Aliás, trânsito – inclusive – um divisor de águas: é onde a “educação”, a civilidade, tudo isso oscila – um pêndulo – do positivo para o negativo, num dado instante, por conta da circunstância de que se ocupa o indivíduo, pedestre ou condutor.

Sabemos, o Código de Trânsito assegura, sempre, primazia do pedestre – uma garantia do direito de incolumidade física que... O(A) cidadão(ã) , essencialmente pedestre, quando ao volante de um auto... montado numa moto... bicicleta, então (diz o Código, bike é veículo)... bicicleta, nem se fala!, o cara não mede esforço justamente para botar o pedestre... em último lugar! É o avesso da civilidade. Cidadania na contramão.

Um exemplo, dentre várias opções? Corriqueiro, usual, o fato. Tu te preparas para atravessar, a pé. Cautelosamente, na “segurança” do semáforo, e da faixa. Tá bom. Então, acende o bonequinho verde – plic! – semaforinho de pedestres, autorizado! – “Vai que é tua..., pedestre!”, insufla o marronzinho global!

Tu “tentas” ir, e... zuuupt!, passou, babando! No teu verde, passa ela – bike – silenciosa, fantasmagórica, perigosa... bike! No vermelho dela – como se verde...

Carros. Motos. Busos. Param, no vermelho – é costume. Bicicletas? NUNCA! “É mentira, Terta?”, que bicicleta não para no semáforo? “Verrrrdade!”. Pudera: ciclista goza de impunidade! É montar, pedalar, fazer o que der na telha. Sem restrição: normas de trânsito são só para “carros”... E semáforo!

Marronzinho: incumbe-lhe multar ou guinchar bikes? Ciclista imprudente, acintoso: alguém se indigna? Sequer, xinga? Ciclista – cara-de-pau – respeita... ALGO? Na Lua? Em Marte, quiçá... Onde deve ocorrer uma “C...E.T.”! – “Cicloatividade Extra Terrestre”! E ciclovias, nos anéis de Saturno...

E há quem fale algo como “cultura de bicicleta”, mentalidade, atitudes, comportamento. “Cultura”, pode? Cultura será... pedalar na calçada? Na contramão, ignorando semáforo? Cultura é não dotar bikes de farol e buzina – que pudessem alertar pedestres? Só se “cultura” do oportunismo e da burrice... Pedalar conforme o conveniente. Individualismo.

Plaquinhas (“educação no trânsito”) ainda alertam (educam), “Ciclista só atravesse no verde”... Ora, quem não vê? Para ciclista esperto, que se preza, todo semáforo tem três cores: incolor, incolor e incolor.

No futuro – não tão longe – expectativa natural, milhares de mais carros e bicicletas nas ruas paulistanas. Bicicletas: nas ruas e calçadas, bem explicado. Incremento da tal cicloatividade, mobilidade ideal (para não respeitar coisa alguma, impune).

“Ciclista pedala na calçada para se proteger dos carros”, pretexto hipócrita. Se mais bicicletas no trânsito, mais delas na calçada, pois. É a expectativa.

“Compartilhar” calçadas, bicicletas versus pedestres, mais bikes, como resolver o dilema? Eureka, fácil solução: rodízio! Dia sim, outro... também!

“Mais bicicletas nas calçadas”, rodízio... de bikes – quê?! Na-na-ni-na-não! Rodízio... de pedestres!

“Andar de bicicleta na calçada (NÃO) é proibido (DE FATO)” – impunidade. Pedalar é preciso: proibir, não é preciso.

Rubens Cano de Medeiros

A gente vê – de anúncios: jornais e revistas; nas lojas, nos shoppings. Que bicicletas, “zerinho” de fábrica, elas já vêm nuas, desprovidas de buzina (digo, campainha), farolete (digo, pisca) e lanterninhas de ré (que, quando presentes, homiziam-se debaixo do selim, se é que acendem). Zelo com segurança.

E este, então, nem se fala! – espelhinho: para quê? Se ciclista nem sinaliza de mão, e ainda faz manobras imprevisíveis, muda de lado... Enfim, itens “obrigatórios” que generalizadamente ciclistas dispensam. Afinal, bicicleta é veículo – ao menos, garante o Código (que não é uma “cartilha” para a cicloatividade, de fato).

Fosse igual com carros e motos... concessionárias disponibilizassem opcionalmente – quem quisesse – veículos sem buzina, faróis e retrovisores – tal qual bike, hein? Pelo menos, saía pouco mais “barato”, né? Então, por que com bicicleta a coisa é tão cretina? Bicicleta não se envolve em acidente, acaso? Responde, ghost-bike!

Uma vez veículo muito versátil, silencioso – quase sempre “apagado” – bicicleta, de pronto, propicia expor o ciclista, mais o imprudente (que não são só hipocritamente “alguns”). Atropelar, nem se fala, o perigão. Cautela é, pois, fundamental – não “opcional”, como os itens.

Reflexo de mentalidade, um exemplo. Em sites, ciclistas declaram, campainha é “fraquinha” como buzina, alertar motoristas – então, não usa. De forma medíocre, dizem, “melhor” alertar pedestre – putz! – com buzina... “vocal” (sic), gritar! Talvez assim, “Óia a bicicreta!”, seria? Enquanto não ficar rouco... Ciclistas desses devem raciocinar não com o cérebro, mas com a massa que se encaixa no selim, só pode. Mediocridade que pedala.

Bom, andar de bicicleta na calçada, proibido, né? Diz a lei, porém, mentira: todos andam pois nada impede. E pedalar “mudo” e “apagado” é burrice. Acintoso. É uma vitória da insensatez. Viola o bom senso.

Ciclista prevenir SÓ com capacete e óculos é aquém do razoável. Pois requer mais atitudes – campainha (compatível com bike), farolete e lanterna, espelho. Requer mais, de quem pedala: respeitar o Código. Civilidade. Lucidez: fiscalização.

“Diziam” os velhos bondes, prevenir acidentes é dever de todos – pedestre, ciclista, motoqueiro ou motorista se enquadram, claro. Bondes morreram, mas a imprudência, sabemos, é eterna. “Assim caminha a humanidade” – não o filme, mas a vida: imprudentemente – a pé; no volante; sobretudo, no selim.

Rubens Cano de Medeiros

Em princípio, considerações outras de lado, inquestionável é que – constate-se – ciclistas paulistanos (unanimidade) – exceto quando “monitorados” por aquele “apoio” nos cruzamentos, ciclofaixas de fins de semana – a cicloatividade das ruas não vai além de tráfego desordenado, transgressões ao Código, norteado por oportunismo e imprudência – uma vez que isento de controle de disciplina – caracterizado por acintoso desrespeito a pedestres.

Nem, sequer, faixas “educativas” se veem nas ruas, atitude de alguma prevenção de acidentes, alertando ciclistas do perigo de trafegar em descumprimento com normas legais de trânsito, em desacordo com o bom senso. Nem só ensinar a pedalar é suficiente: cumpre fazê-lo de conformidade com a prudência. Bicicleta é leve, versátil e ágil, o quanto é frágil, insegura – e perigosa, para pedestre.

Impunes, bikes são perigosas. As de entrega, são insanas, nas manobras. Ciclistas, todos, circulam sem “buzina”; a maioria, à noite, sem faroletes (exceto esquisitos piscas); tanto pedalam com naturalidade no asfalto como, do “nada”, pulam para calçadas – se direito tivessem. Contramão, furar vermelho... é rotina. Impunes, ante a indiferença generalizada, é a mobilidade desordenada. Bicicleta – além de silenciosa, traiçoeira – é conduzida sob a norma da imprevisibilidade, sua trajetória.

Mais que imprudentes, parece que burros – qual deles é exceção? Menosprezam riscos à própria incolumidade, o que dizer de preocuparem-se com segurança de pedestre? O tempo, o comportamento, a evolução da engenhoca pedalável... a tradicional campainha ding-ding, aliás compatível com a natureza de bicicletas, ela foi relegada à obsolescência – equivocadamente, porque vital para alertar pedestre que cruza a via na iminência de surgir a bike.

Bicicletas, caótico trafegar? Qual ciclista desmonta – nem digo na calçada – mas no vermelho do farol? Excepcional, só. “Proteger-se”, impuseram-se por si os ciclistas, é – não usar farolete à noite – botar capacete no topo do crânio e óculos.

Exemplo de mentalidade. Qualquer criança logo nota que o carro dos pais tem buzina, faróis e espelhos. Mas a bicicletinha dela, na qual dará as primeiras pedaladas, não traz as correspondentes “imitações”, simulacros, educativos. E quando for, um dia, pedalar no Ibira com os pais, verá que as reluzentes bikes deles também estarão desprovidas dos “equipamentos obrigatórios” que garantiriam prudência para todos: os que pedalam, motoristas e pedestres. Mentalidade. Que se apoia na impunidade.

Depreende-se, por exemplo, de artigos sobre cicloatividade, dos jornais – que só sabem enaltecê-la, nunca mostrar vícios – tampouco a necessidade de “educar”, nas ruas, os dos pedais. Pontos de vista de autoridades, ou de especialistas de trânsito: a preocupação-mor é implantar (quer dizer, pintar, até rústicas) ciclovias. Ainda que invadindo calçadas – afinal, já se disse, “ciclistas e pedestres, ora, eles que se... entendam”.

Eppur si muove. Galilei deve ter se referido aos ciclistas paulistanos. Pois eles se movem por si mesmos – no “volume morto” da educação e da civilidade, quando abominam regras do Código e cautela com pedestres. Por si mesmos, e não por normas.

Ao leigo, caso de mim, cabe apenas indignar-se ante essa mobilidade tão sem qualquer disciplina, periclitando pedestres: solução, é que não tenho – coisa que cabe a técnicos e especialistas de trânsito, óbvio. Competir-lhes-ia. Aliás, opiniões que nunca se veem quando de matérias sobre cicloatividade. Bicicletas nas ruas paulistanas, um trafegar sui generis – impune, por sinal: na calçada, na contramão, furando sinal; sem “buzina”, sem farolete... candidatas a ghost-bike. Triunfar das nulidades. Ciclista é “tudo” igual – as mesmas infrações, um após o outro nas ruas. Mais ou menos como filosofaram: aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

Rubens Cano de Medeiros

Tolerar, nós, concidadãos, equivocadamente aceitamos. Derrota da cidadania. Pedalar NA calçada, não devíamos consentir – claro, à exceção de crianças. Calçada É de pedestre. Nem mesmo compartilhar.

Mero pretexto de cicloativista (razão, nenhuma). Pedalam NA calçada pois “mais seguro” contra desrespeito de motoristas. Sem cabimento. Motos deveriam fazer igual, pois vítimas do mesmo perigo. Ao menos, motos, pressenti-lo-íamos: têm buzina, fazem ruído. E bicicleta NA calçada, às nossas costas? Perigo.

Respeito? Ciclista respeita algo ou alguém? Observe-se nas ruas: ciclistas, de imprudentes, chegam até a desrespeitar-se uns a outros.

Na internet, alerta a CET. Cidadão, “é proibido andar de bicicleta NA calçada, você sabia?”. Bem, em contrapartida – para fazer valer a proibição – ela toma alguma ATITUDE? Nas ruas, fiscalizar, disciplinar, “educar” ou autuar ciclista infrator e imprudente – que não só “alguns”? Impunidade. Então, por que não pedalar sobre pedestres? Dá “nada”.

Nunca razão, sempre “desculpa”, pretexto tolo, ciclista se põe no “direito”, por hipócrita segurança (prevenção), para furar vermelho e rolar na contramão. Quem se importa? A CET? O prefeito? “Especialistas”, técnicos? Nada nos faz crer. A mídia critica?

Questão de lucidez, entre outros, de educação (na verdade, falta de), que ciclista se conduzisse na conformidade dos preceitos do Código, a lei do trânsito. Mas, qual... ser ciclista paulistano é ser individualista, oportunista.

Só se, para bikes de hoje – todas, inclusive as de entregas (doidonas) – e para a mentalidade de quem pedala, normas de civilidade e de trânsito serão tão obsoletas e anacrônicas, como “buzina” (alerta sonoro, como motos) e farol também restaram desterrados para a obsolescência.

Prevenir de acidentes, vê-se, é só usar capacete. Fazer-se notar ante carros. Já preocupar-se com pedestre, à frente...

Se se fiscalizam veículos – ora, então uma única razão, seja – por que não impor disciplina às bicicletas, quando fora da “segurança” (será?) de ciclovias? Acaso bikes não atropelam, e matam? Sem exagero, por conta de peculiaridades, “teoricamente” a chance – a possibilidade – silenciosas, sem buzina e farol, ignorando normas e sinalização –, um ciclista ATÉ pode ser mais provável de atropelar. E é. O que nem conta diante da imensa superioridade do número de carros paulistanos, milhões, nas ruas – e bikes, poucos milhares. Discipline-se a tal cicloatividade – fora de ciclovias.

Rubens Cano de Medeiros
São Paulo (SP)